Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/06/2021

No filme ‘‘Coach Carter - Treino para a vida’’, é retratada a realidade de jovens negros de um bairro pobre dos Estados Unidos que estão com dificuldades na vida acadêmica e acabam abandonando a escola. Ao longo da trama, Jackson - o novo treinador da equipe de basquete - busca alternativas para melhorar o desempenho acadêmico dos alunos, mas encontra resistência do corpo docente da instituição. Fora da ficção, fica claro que a veracidade apresentada no filme pode ser relacionada à sociedade brasileira do século XXI: onde a omissão governamental e o trabalho infantil são fatores determinantes para a manutenção da evasão escolar no país.

Em primeiro lugar, é importante destacar o descaso do Governo ao fato de muitos alunos abandonarem as escolas. Segundo Jean-Jacques Rousseau, filósofo suiço, o indivíduo abre mão de parte da sua liberdade ao Estado - por meio das leis - a fim de atingir o equilíbrio social. Entretanto, o papel passivo do Ministério da Educação (MEC) em sua administração não tem proporcionado alternativas necessárias para desmistificar os motivos que fazem com que estudantes deixem as escolas. Desse modo, o Governo, ao não efetivar o pensamento de Rousseau, atua como um agente perpetuador do processo de exclusão do direito à educação dessa parcela da população.

Consequentemente, o trabalho infantil torna-se uma problemática evidente no país, visto que, fora das escolas, crianças e adolescentes são obrigados a buscarem empregos na rua, nos lixões, nas fazendas, etc., sendo muito deles análogos à escravidão, com baixa remuneração, sem carteira assinada e sem um devido descanso. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2019, cerca de 706 mil crianças e adolescentes estavam ocupados nas piores formas de trabalho infantil. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, promova programas educacionais para as escolas, visando a fiscalização da frequência dos alunos nas aulas, por meio de diários onlines ou físicos. Em caso de estudantes com excesso de faltas, seja acionado o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada município, para saber os motivos do aluno não estar frequentando as aulas. Somente assim, será possível superar os impactos da evasão escolar no Brasil.