Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/07/2017

Trabalho infantil, dificuldades de acesso à escola, “fracasso escolar”. Esses são alguns dos fatores que levam milhares de crianças e adolescentes a abandonarem os estudos. Em 2006, o documentário “Falcão - Meninos do Tráfico” produzido pelo rapper MV Bill mostrou uma perversa modalidade de “trabalho infanto-juvenil”, que insere o jovem como agente ativo do tráfico e consequentemente aumenta os índices da evasão escolar. Nesse sentido, compreender as razões que provocam o abandono da escola e apontar soluções que revertam esse quadro é um desafio que deve ser encarado cotidianamente por toda sociedade.

De acordo com o filósofo Immauel Kant, o problema do aperfeiçoamento da humanidade está diretamente ligado à educação. Todavia, estudos feitos como base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que mais de um milhão de jovens entre 15 e 17 abandonaram a escola, e mais da metade desses sequer concluíram o ensino fundamental. Isso significa o aumento da probabilidade de uma inserção precária no mercado de trabalho, e a não garantia do pleno acesso a direitos básicos que se traduzem em ampliação da dignidade humana.

Destarte, é importante destacar que a evasão escolar é fruto ineficiência do sistema escolar que na maioria das vezes não oferece as condições adequadas para que crianças e adolescentes permaneçam na escola. A necessidade de buscar um “trabalho” para que auxiliem à família nas despesas em casa, a falta de infraestrutura e as dificuldades de aprendizagem são alguns dos motivos que motivos que causam o abandono da escola. Por outro lado, a evasão escolar também provoca o aumento dos índices de jovens envolvidos com atividades ilícitas.

É necessário, portanto, que a escola procure se aproximar da realidade de seus alunos, buscando compreender as necessidades individuais, e assim reduzir os índices de evasão escolar. É fundamental que o ambiente escolar se adeque às transformações contemporâneas, que introduza as tecnologias no processo de ensino-aprendizagem como uma forma de tornar a escola um lugar para transformar o conhecimento, e não um ambiente monótono, um depósito de informações. É preciso que órgãos como Ministério da Educação, Secretarias estaduais e municipais da educação invistam na infraestrutura das escolas, na formação adequada de professores e na formação de equipes multidisciplinares compostas por pedagogos, psicólogos, assistentes sociais que possam trabalhar no sentido de atender as demandas desses alunos que têm dificuldade em permanecer na escola.