Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/07/2017

Durante a Antiguidade Clássica, a educação era restrita, sendo a posição social determinante para a formação dos cidadãos. Hodiernamente, mesmo após muitos séculos, a classe social ainda interfere no acesso ao ensino, sendo uma das justificativas mais comuns para a evasão escolar na sociedade brasileira. Isso, somado à currículos inchados, à deficiente relação família-escola e à praticas pedagógicas não condizentes com a realidade do jovem, desafia o dever constitucional de educação necessitando de, como disse o intelectual Sêneca, ‘‘maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida’’.

Apesar dos projetos governamentais como o Bolsa Família, que estabelece a indispensabilidade da presença escolar das crianças, a problemática da evasão permanece presente na sociedade. Segundo o IBGE, o grupo de risco de evasão inclui jovens de baixa renda que podem ser motivados pela gravidez na adolescência ou pela necessidade de buscar um aumento na renda. Nesse sentido, procede a necessidade da expansão da relação da instituição escolar com as famílias, criando soluções e planejamentos que se encaixem na realidade e entendendo o que o aluno precisa. Baseadas nessa concepção, as escolas públicas de Contagem, em Minas Gerais, instauraram um projeto que diminuiu 92% da evasão e aumentou 64% das notas, alongando a jornada dos professores duas vezes por semana para que esses visitem a casa de alunos com dificuldades e entendam a origem dessas.

No documentário ‘‘Pro dia nascer feliz’’, uma professora cita o que considera ser o maior desafio da atual educação brasileira: ‘‘vive-se uma escola do século passado, a qual deve ser repensada para se adaptar à nova geração de alunos’’. Desse modo, o sistema utilizado, com currículos inchados e metodologias antiquadas, não gera interesse na juventude, tornado o lado de fora mais atrativo. Em contraste ao que acontece no Brasil, na Finlândia, país com uma educação renomada, as aulas tradicionais foram substituídas por projetos transdisciplinares feito pelos alunos, em que o professor assume o papel de mentor. Logo, a atualização do modelo de ensino é um recurso contra o problema, pois, consoante Platão, um conhecimento imposto a força não permanece na alma por muito tempo.

Dessa forma, é necessário que a educação seja tratada com cuidado, sendo atrativa e se adaptando às necessidades dos alunos, pois, segundo Kant, é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Portanto, é preciso que o Governo Federal, através do Ministério da Educação (MEC), amplie para o país o projeto de Contagem, preparando parte do corpo docente das escolas para visitar a residência de alunos com dificuldades, visando soluções que se adaptem à realidade. Outrossim, o MEC deve alterar a grade curricular nacional, diminuindo seu inchaço e incluindo nela projetos que sejam interessantes para os jovens, como feito na Finlândia.