Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/07/2021

De acordo com o sociólogo francês do século XIX Émile Durkheim, os indivíduos de uma sociedade estão conectados entre si por meio de uma consciência coletiva, a qual determina que pensem e ajam de modo minimamente semelhante entre si. Assim, essa compreensão é ponto chave no debate acerca da evasão escolar e a realidade brasileira, visto que essa problemática é permeada por questões histórico-sociais que ainda produzem consequências hodiernas.

Primeiramente, faz-se necessário o entendimento da evasão escolar como fruto de uma sociedade elitista e segregacionista existente desde que os portugueses chegaram no Brasil, no século XVI. De fato, durante muitos anos a população brasileira não dispunha de escolas e nem universidades, o que exigia que aqueles que podiam arcar com os gastos do acesso a educação o fizessem em outros países, tornando inegável a desigualdade existente desde o início da história do Brasil. Além disso, é notório que apenas a partir do século XX é que foram criadas leis e estatutos para o acesso da educação a todos, sem distinções de raça ou classe social, a exemplo do próprio Estatuto da Criança e do Adolescente, que é o marco legal dos direitos humanos de crianças e adolescentes no Brasil, criado nos anos 90.

Ademais, é inegável que todo o contexto histórico relatado anteriormente contribuiu para que até os dias de hoje a educação fosse vista como algo distante para muitas crianças e jovens carentes. Assim, o ensino é colocado em segundo plano, em detrimento de fatores preocupantes a exemplo do trabalho infantil, que conta com a ajuda de discursos baseados na meritocracia - que é um modelo de hierarquização baseado nos méritos de cada indivíduo - e que não levam em conta o imenso sofrimento de crianças privadas do disfrutar de suas infâncias. Logo, levando em conta a necessidade de promover a valorização educacional, mudanças efetivas devem ser realizadas para mudar o cenário atual do ensino brasileiro, tendo como base a fala do ex presidente da África do Sul, Nelson Mandela, de que a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo.

Portanto, é urgente que medidas sejam tomadas em prol do acesso a educação a todos os cidadãos brasileiros. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de verbas arrecadadas com impostos pagos pela população, deve realizar campanhas em escolas a fim de conscientizar e informar crianças, adolescentes, jovens e seus familiares acerca da importância do incentivo da educação. De maneira análoga, é preciso que essas escolas trabalhem no acompanhamento daqueles que já abandonaram o ensino, com o intuito de resgatar esses cidadãos e proporcionar-lhes uma nova chance. Só assim, o Brasil poderá ter a educação como aliada na construção de uma sociedade justa e democrática.