Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 07/07/2017
Evasão escolar: A educação como prioridade
A evasão escolar é um fenômeno caracterizado pela desistência dos alunos nas instituições de ensino, tendo os mais diversos fatores como responsáveis, porém dados de pesquisas afirmam que isso acontece com maior frequência em escolas que apresentam alunos de baixa renda. Esse contexto surge após a abolição da escravatura em 1888, onde homens livres sem expectativa de vida, passaram a se concentrar em locais marginalizados e de maneira inapropriada, dando origem as favelas, fenômeno esse que o geógrafo Milton Santos veio a chamar de “Favelização”. As favelas, nos tempos hodiernos, são consideradas um grande problema social e político, pois sua população, é na maioria, de baixa renda e mais suscetíveis a dificuldades enfrentadas no contexto atual.
Indubitavelmente, os serviços públicos ofertados no país deveriam ser bons e contribuir para seu desenvolvimento, porém a base deles - a educação - deixa diversos buracos. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, mais de 40% da evasão escolar é motivada pela falta de desinteresse do aluno. Ao se deparar com escolas sem infraestrutura adequada, professores faltosos, falta de didática em sala de aula, não acompanhamento ao discente etc. gera no aluno um desinteresse e falta de expectativa, pois sabe-se que para alcançar o ensino superior, terá que passar pelo ensino básico, quando esse contém falhas, torna-se desmotivante. Assim, sendo muito mais fácil alunos de escola privada chegarem até a faculdade, com isso, não assegurando o direito a educação para todos.
Ademais, a baixa renda é um fator motivante para a desistência. As crianças e adolescentes pertencentes a famílias com baixo poder aquisitivo, são motivadas pelos pais ou pela situação precária, a buscarem empregos mais cedo para auxiliar na renda familiar. Isso ocorre, pois o direito à uma renda suficiente para usufruir dos direitos básicos não é cumprida, assim essas crianças e adolescentes são obrigadas a contribuir financeiramente, desrespeitando outros direitos presentes no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), saindo das escolas e buscando uma expectativa melhor em trabalhos.
Dessa forma, a não asseguração de um direito gera a não asseguração de outros, tornando um ciclo constante, colocando o Brasil nessas condições. Portanto, afim de amenizar o problema, é necessário que o Estado passe a enxergar a educação como prioridade, assegurando verbas necessárias para a manutenção estrutural e de ensino das escolas públicas, assim essas escolas teriam como usar de recursos e sua pedagogia para trazer os alunos de volta, por meio de didáticas estabelecidas por cada realidade, uma delas seria o auxilio psicopedagógico, acompanhando a realidade fora da escola e trabalhando junto ao Conselho Tutelar, afim de resolver o problema.