Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/07/2017
Na obra “O Ateneu” de Raul Pompéia, é possível acompanhar Sérgio, um adolescente recém-chegado em um colégio famoso por impor uma educação rígida aos seus alunos. Nesse contexto, sua experiência é marcada por maus-tratos e as constantes tentativas dos estudantes de insurgir contra o sistema. Apesar de se passar no século XIX, essa história reflete uma problemática bastante atual - a ineficaz estruturação da educação brasileira. Sob esse ponto de vista, resquícios desse modelo falho na atualidade levam a expedientes como a evasão escola, realidade de muitos jovens.
Primordialmente, é necessário investigar as causas dessa conjuntura, que abrangem variáveis como a didática e a inadequação de contexto. Segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 40% dos jovens abandonam os estudos por falta de interesse, contrariando senso comum de que o estudante abandonava a escola para trabalhar. Nesse sentido, pode-se relacionar esse quadro a um currículo excessivamente teórico, pobre em contextualização, e com pouca ou nenhuma participação do aluno, causando um quadro de robotização como é exposto na canção “Another Brick In The Wall” da banda Pink Floyd. Dessa forma, a maçante mecanização sofrida pelos jovens na escola choca-se com a realidade, que é dinâmica e tecnológica.
Além dos fatores ligados à escola, é preciso acompanhar atentamente situações que ameaçam a permanência da criança ou adolescente em uma instituição de ensino. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os grupos mais vulneráveis são jovens de baixa renda e mães adolescentes. Nesses casos, é preciso um trabalho social por parte dos educadores, visto que o apoio da família e da comunidade escolar primordial para a perseverança nos estudos, seja em momentos de crise familiar financeira ou afetiva, seja na necessidade de suporte emocional na gravidez precoce.
Logo, é imprescindível a ação das escolas, com o apoio do Ministério da Educação e da Cultura, não só dinamizar o aprendizado por meio da combinação do tradicional e do tecnológico, mas também promover debates sobre diversas questões sociais e filosóficas, como forma de promover o protagonismo juvenil. Por outro lado, o Estado deve propor políticas públicas de acompanhamento dos jovens em situações vulneráveis, envolvendo sua família e a escola, criando laços entre elas, com o objetivo de prevenir a evasão escolar por motivos . Dessa maneira, é possível potencializar as chances de muitos jovens cidadãos de ter uma vida digna.