Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/07/2017
A Constituição Federal assegura a todos o direito à educação e esse é legitimado à criança e ao adolescente por meio do artigo 53 do seu estatuto. O ensino brasileiro em seu decurso, desde a colonização preponderantemente elitista, ainda apresenta resquícios dessa herança pouco equitativa. A evasão escolar, grave problema social contemporâneo, possui raízes históricas, uma vez que, muitos dos que abdicam dos estudos o fazem por imposição, necessidade e até pelo crime. Consequência de um legado de desigualdade, instabilidade estatal e social e do limitado comprometimento da escola.
O perfil dos jovens que abandonam os estudos precocemente possui algumas peculiaridades. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 64,5% dos jovens entre 18 e 24 anos deixam a escola antes do tempo previsto, já entre os adolescentes esse número cresce para mais de 80%, ou seja, jovens e adolescentes inseridos no mercado de trabalho sem qualificação ou no ócio, o que perpetua o ciclo de desigualdade, visto que, capacitação acadêmica e profissional está intrínseca ao patamar sócioeconômico.
Ademais, a baixa qualidade do ensino tem desestimulado os jovens, aumentando assim, o índice de reprovação bem como a distorção idade e série, o que fomenta a fuga das escolas.
Faz-se necessário, portanto, medidas articuladas. O poder público assegurando-se do cumprimento de programas como o Aviso por infrequência do aluno, que visa garantir a permanência dos menores na escola. Professores e gestores da educação, sob o incentivo e regulação do estado, atuando no âmbito escola-família, acompanhando, resgatando e reinserindo esse jovem, bem como sua família. Para que assim, esse jovem seja transformado para transformar o mundo, como disserta Paulo Freire.