Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/07/2017
Conforme dados divulgados pelo Instituto Unibanco, ainda que a porcentagem de alunos que concluíram o Ensino Médio subiu na última década, cerca de 1,3 milhões de estudantes abandonaram a escola e consequentemente têm pior inserção no mercado de trabalho resultando em condições de vida mais precárias para si e seus descendentes.
Essa barreira fundamentada por problemas políticos, sociais e econômicos gera um ciclo vicioso no qual jovens de periferia estão mais vulneráveis aos infortúnios que desviam seu caminho das letras: dificuldade de acesso; flerte com promessas de ascensão social através de atividades criminosas; uma necessidade de amadurecimento precoce pela entrada antecipada no mercado de trabalho e que também dialoga com a questão da gravidez no início da puberdade.
Outro porém se deve ao fato de que, na maioria dos casos, a própria escola não se nutre de condições adequadas para suportar alunos cuja vida e necessidades apontam numa direção diametralmente oposta à daquela instituição que deveria promover maior igualdade, mas que infelizmente cria um apartheid social sustentado nos discursos inócuos da competência e meritocracia.
Por certo, toda sociedade deve encarar a questão de acesso ao ensino básico não apenas como uma questão de oportunidade, mas também como um direito fundamental previsto em lei. Ademais desse processo de conscientização, é preciso melhorar as condições de grupos mais vulneráveis, cabendo ao estado criar políticas públicas voltadas a melhor distribuição de renda, inclusive com bolsas para estudantes mais carentes. Leis que regulamentam um cronograma laboral devem guiar o setor privado a estabelecer mecanismos que facilitem seus funcionários em idade escolar a cumprirem sua dupla jornada. Por fim, cabe à escola atuar de forma mais humanizada entendendo seu aluno como individuo dotado de necessidades diversas e, principalmente, proporcionar condições que apontem na direção de melhores oportunidades de transformação social.