Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/07/2021

A Constituição Federal de 1988 estabelece que a educação é direito de todo cidadão brasileiro e que é dever do Estado garantir a permanência dos alunos na escola. Entretanto, essa norma legal não é de fato concretizada no Brasil, visto que as altas taxas de evasão escolar são uma parte lamentável do cenário educacional atual do país. Nesse sentido, essa agrura social tem origem inegável na negligência do poder público, que é corroborada pela carência infraestrutural das instituições públicas de ensino e pela falibilidade do modelo educacional brasileiro.

Em primeira análise, o sucateamento das escolas públicas aprofunda a realidade da evasão escolar. Isso se deve ao fato de que muitas instituições, principalmente aquelas localizadas em regiões mais carentes, não têm as condições mínimas necessárias para garantir a qualidade do ensino, como serviços de saneamento e de iluminação. Dessa forma, esses espaços não são aptos para o desenvolvimento adequado do aprendizado, o que leva muitos discentes ao abandono do estudo. Tal quadro é verificado no documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, que retrata as dificuldades do sistema de educação brasileiro, entre elas, o desânimo de alguns estudantes em continuar a frequentar as escolas diante da falta de recursos apropriados.

Ademais, o formato de ensino vigente na maior parte das escolas do Brasil, baseado na pedagogia tradicional, também consolida o problema da evasão escolar. Isso ocorre porque o foco do ensino é apenas a transmissão de conteúdo do educador para o educando, sem considerar as particularidades e vivências de cada um. Assim, a escola se distancia da realidade do aluno e possíveis problemas de aprendizado muitas vezes não são percebidos ou investigados pelos docentes, logo, a persistente dificuldade pode gerar desinteresse do estudante pelo que é ensinado, levando-o a deixar a escola. Esse modelo educacional é descrito pelo pedagogo Paulo Freire como “educação bancária”, a educação que não emancipa nem estimula o aluno, portanto, não oferece atrativos para que ele siga estudando.

Diante do exposto, são notórios os desafios do ensino brasileiro que alicerçam as altas taxas de evasão escolar. Sendo assim, é necessário que o governo público, através do Ministério da Educação, identifique as escolas com maiores necessidades infraestruturais e destine verbas para atendê-las, de forma a prover aos alunos um espaço de ensino adequado. Além disso, é preciso que as escolas ofereçam acompanhamento pedagógico aos estudantes, principalmente àqueles que apresentam baixo rendimento, para que seja possível entender e combater os empecilhos de cada um no aprendizado. Desse modo, será possível encorajar os estudantes a dar prosseguimento em sua formação, o que irá mitigar o óbice da evasão escolar no Brasil.