Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/07/2021
A constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação integral como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal direito não tem se manifestado com ênfase na prática quando se observa a evasão escolar e a realidade do Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise do descaso governamental com o desinteresse escolar e as consequências dos fatores que favorecem esse quadro.
Diante desse cenário, deve se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a evasão escolar. Nesse sentido, a falta de suporte do Estado para jovens de baixa renda, torna o ambiente escolar uma dificuldade, dentro de uma realidade com alto índice de pobreza e violência, resultando na influência de jovens a criminalidade. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como educação e segurança, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar as consequências do abandono escolar, sendo um problema impulsionado por jovens que não desfrutam de privilégios básicos como: segurança, apoio estudantil e alimentação digna. Tendo como resultado, o abandono escolar e seguimentos a trabalhos precários. Segundo pesquisas realizadas pelo IBGE, cerca de 52% de jovens desistiram no ensino fundamental, sendo os grupos de classe baixa mais afetados por esse índice. Logo, é inaceitável que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse obstáculo. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio de verbas governamentais, ofereça a jovens privilégios e meios de permanêcia estudantil – bolsa de estudos com remuneração para cobrir as despesas do aluno com transporte e materiais, apoio estudantil por meio de acompanhamento psicológico e fiscalização para entender a realidade de alunos que apresentem evasão escolar e procurar maneiras de reverter essa situação – a fim de diminuir a frequência desse problema. Assim, será consolidada uma sociedade mais harmônica, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.