Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/07/2021
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, a sociedade vive o máximo de sua excelência, marcada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, a evasão escolar quebra o paradigma de More. Nesse contexto, é reflexivo o atual quadro da relação entre indivíduos e educação, visto que essa problemática se reverbera cotidianamente. Desse modo, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a ação governamental e seus desdobramentos.
A princípio, cabe destacar que a Constituição, lei máxima da justiça, incumbe ao Poder Público garantir educação de qualidade e incentivo à capacitação pessoal de todos. Entretanto, não é vista ação eficaz por parte do governo em relação a tal questão. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, pois, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso, são as péssimas condições estrutrais das escolas públicas, merendas de baixa qualidade, remuneração baixa dos professores, além de equipes pedagógicas completamente despreparadas. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir o cumprimento da legalidade dessa questão.
Outrossim, delineia-se oportuno salientar que a evasão escolar atinge um público específico e com renda semelhante todos os anos. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, pesquisa realizada pelo IBGE, o abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de famílias mais pobres, sendo também mais recorrentes entre negros e pardos. Dessa maneira, para entender esse complexo quadro, é convidativo refletir que os adolescentes quando não enxergam na escola a possibilidade de melhoria de vida e ascensão social, a educação acaba sendo substituída pelo mercado informal de trabalho. Por conseguinte, o direito a cidadania é atingido e, quando esses jovens não se capacitam, o país perde mão de obra qualificada, o que estende a pobreza, logo, a integração dos desistentes é afetada, uma vez que parte considerável da população não tem oportunidade de concluir o ensino básico com o mínimo de qualidade. À vista disso, é ilativo que as consequências desse quadro afetam todo o corpo social.
Portanto, o Ministério da Educação deve aumentar os investimentos voltados para a melhoria da qualidade do ensino público, investindo na infraestrutura com reformas e construção de novas escolas, além de aumentos salariais para os professores e profissionais da educação, com intuito de incentivar esses profissionais. Ademais, o Ministério da Cidadania deve criar auxílios educacionais para jovens de baixa renda, isso pode ser feito com destinação de uma parte do dinheiro arrecadado pelos impostos, tendo por objetivo transferir renda para jovens que estão em situação de vulnerabilidade social, a fim de que esses consigam formação digna e o direito à dignidade garantida pela carta-magna brasileira.