Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 02/08/2021

O 26º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos promove que todos os cidadãos possuem acesso facilitado ao ensino educacional com qualidade excepcional e de maneira gratuita. Conquanto, a baixa qualidade educacional fornecida pelo ensino público, como a falta de transportes para estudantes carentes, resulta na evasão escolar dos acadêmicos. Além disso, a falta de recursos financeiros induz o estudante a abandonar os estudos, visto que, muitas vezes, o acadêmico não possui capital para comprar os devidos materiais escolares e precisa trabalhar para ajudar a manter a renda familiar.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a baixa infraestrutura do ensino público agrava o índice de evasão escolar no Brasil, uma vez que grande parte dos estudantes dependem unicamente da qualidade de ensino oferecido pela educação pública. Segundo Eduardo Calbucci, professor e especialista em educação, a dificuldade de acesso ao ensino, ocasionada pela falta de acesso ou materiais, é um dos principais acentuadores da fuga acadêmica. Sendo assim, é necessário que ocorra a ascensão qualitativa do sistema de ensino público, o que é capaz de reduzir significativamente o índice de evasão escolar.

Cabe salientar, em segundo plano, que a baixa renda familiar de muitos estudantes costuma induzir o abandono escolar para ajudar na subsistência da família. No livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, é descrita a realidade de uma comunidade carente onde os jovens, em grande maioria, não frequentam o ambiente escolar por falta de condições financeiras e necessidade de ajudar em casa. Paralelamente, essa realidade ainda se faz presente e afeta os diversos moradores de bairros e regiões necessitadas. Logo, é evidente que ações devem ser tomadas para garantir a permanência dos estudantes no ambiente escolar.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver os impasses presentes na evasão escolar dentro da realidade brasileira. Dessa forma, o Ministério da Educação deve promover a criação de um programa que arrecade e direcione verbas para estudantes de baixa renda e instituições de ensino em situação precária, o que deve ocorrer por meio do cadastramento do aluno e da escola em um site governamental. Tal verba deve ser proveniente dos impostos pagos por instituições privadas de ensino e, para receber o auxílio, tanto a escola quanto o aluno devem comprovar a situação, como renda familiar per capita máxima de 1,5 salário mínimo para os alunos e a falta de materiais para as instituições. Espera-se, com essa medida, que a infraestrutura escolar seja elevada e menos alunos sejam forçados a realizar a evasão escolar para garantir o sustento familiar.