Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/08/2021

A obra “O Castelo”, do artista mexicano Jorge Méndez, consiste em um amplo muro de tijolos sofrendo uma distorção devido à presença de um livro em sua base, refletindo diretamente no impacto e na importância da educação. De maneira obstante à reflexão causada pelo artista, é notável, na configuração hodierna, uma realidade em que muitos jovens brasileiros abandonam as escolas, mesmo com o valor que a educação tem em suas vidas, na chamada evasão escolar. Sob esse prisma, verifica-se um delicado problema que aflinge a sociedade, motivado pelo desinteresse que muitos possuem pelos estudos, atrelado às disparidades sociais presentes no país.

Nessa perspectiva, vale ressaltar que o crescente desinteresse pelas atividades escolares é um dos entraves presentes na problemática. Em meio a isso, é pertinente trazer o pensamento da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas importantes para as inquietudes modernas. Seguindo o raciocínio da pensadora, é evidente a carência de um ensino pedagógico humanizado que visa tornar o ato de aprender em um momento de prazer, sem gerar a apatia pelos estudos que muitos estudantes do Brasil possuem. Portanto, faz-se necessário uma mudança na didática de ensino aos alunos, transformando as escolas em um local onde o  divertimento e a aprendizagem estão atrelados.

Em paralelo, o cenário de desigualdades sociais presentes na população brasileira, no qual muitas famílias possuem uma renda baixa, é outro obstáculo para o problema. Uma representação desse quadro é vista na obra “Pro Dia Nascer Feliz”, que, ao apresentar escolas no Brasil com realidades socioeconômicas distintas, revela casos de estudantes que se encontram em extrema pobreza e, para auxiliarem suas famílias, precisam romper com os estudos. Para além da ficção, nota-se uma infeliz conjutura em que, por muitos viverem com rendas insuficientes para o seu sustento, encontram como única solução a saída da escola para trabalharem. Sendo assim, carece um amparo a esses estudantes, de modo que não precisem parar de estudar.

Tendo em vista os fatos supracitados, torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse entrave. Por conseguinte, cabe às instituições educacionais, em consonância com assistentes sociais, investir em medidas que auxiliem os alunos. Para isso, as escolas devem fazer mudanças na didática dos professores, através de reuniões e acordos com os mesmos, de modo a deixar o ensino mais atrativo aos alunos. Além disso, o conselho tutelar deve amparar as famílias dos estudantes, reduzindo a necessidade de trabalho por parte dos mesmos. Dessa forma, um ensino antes arcaico se transformará em um ensino moderno, como afirma a teórica Vera Maria Candau.