Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 22/08/2021
Promulgada em 1988, a Constituição Federal do Brasil garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Contudo, hodiernamente, nem toda população desfruta desse direito na prática, à medida que as taxas de abandono e evasão escolar tem crescido substancialmente no país. Nesse contexto, tal problemática merece atenção, pois possui como causas não só a falta de leis que identifiquem e efetivamente auxiliem o aluno em situação de vulnerabilidade, como também a atitude passiva de grande parte dos cidadãos em não cobrar de seus governantes que essa lei seja implementada.
Mormente, é indubitável que a questão legal e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a Lei, uma vez empregada com justiça, traz o equilíbrio numa sociedade. Antagonicamente, no Brasil, é possível perceber que as lacunas de leis que fomentem a continuidade da educação do cidadão rompem essa harmonia, haja vista que, só em 2020, a taxa de abandono escolar foi de 8,4%, ou seja, 4 milhões de alunos desistiram da escola, principalmente por causa de repercussões da pandemia do Covid-19, segundo pesquisa do C6 Bank/Datafolha. Logo, faz-se mister que uma lei seja criada nesse âmbito a fim de atenuar tal controvérsia.
Outrossim, destaca-se, como impulsionadora do problema, a falta de motivação social para cobrar de seus líderes mudanças nesse cenário. De acordo com o sociólogo francês Durkheim, o indivíduo só pode agir quando entende o contexto em que está inserido. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o brasileiro, contudo, pouco se intera com o tema educação, conforme revela uma pesquisa publicada na revista Veja de 2014, em que 63,4% dos jovens de 15 a 21 anos entrevistados afirmavam que, se naquele momento tivessem uma boa oportunidade de emprego, não hesitariam em largar os estudos e começar a trabalhar. Sendo assim, é esperado que os soberanos da nação permaneçam alheios à questão da evasão escolar, visto que o público se mantém indiferente frente à problemática.
É evidente, portanto, que o crescimento do abandono e da evasão escolar é uma moléstia social que precisa ser mitigada. Destarte, cabe à população cobrar do Poder Legislativo a criação de uma lei que identifique e auxilie alunos em situação de fragilidade escolar. Tal medida pode ser realizada por meio de um abaixo assinado nacional, com ampla divulgação nas mídias televisivas e digitais, assim como nas próprias escolas, templos religiosos e outros locais com grande afluxo de pessoas. Somente assim, os líderes verão o interesse das massas em resolver essa mazela e, por conseguinte, mover-se-ão para tal, tornando real o direito constitucional à educação.