Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 23/08/2021
No artigo 205, da Constituição Federal de 1988, conta-se a educação como direito de todos os cidadãos, sendo dever do Estado promovê-la. Entretanto, vê-se que tal direito não é efetivamente posto em prática, em decorrência da preocupante evasão escolar. Tal realidade existe devido a desigualdade social e negligência estatal, as quais permeiam o país.
Inicialmente, convém ressaltar que a condição socioenconômica desfavorável tende a ser um fator determinante para o abandono escolar. Nesse sentido, o documentário “Ausentes” revela, por meio de depoimentos de ex-alunos, como a necessidade de trabalhar faz com que inúmeros jovens abandonem o ensino. Dessa maneira, a concentração educacional entre pessoas de alto poder aquisitivo provam que não há democratização do acesso à escola no Brasil, marginalizando grande parcela da sociedade desprovida de recurso financeiros.
Paralelamente, a negligência estatal, expressa pela redução constante de verbas destinadas à educação, agrava a evasão escolar promovida pela desigualdade social. Em 2019, por exemplo, de acordo com registros publicados pelo Diário Oficial da União, o setor escolar deixou de receber mais de cinco bilhões do que foi previsto no orçamento governamental. Infelizmente, esse contexto ajuda a formar uma educação sucateada e com pouco recursos para atender as diversas necessidades, como a flexibilidade de horários, de milhares de alunos. Logo, é perceptível a necessidade de medidas que ajudem a atenuar a problemática.
Destarte, com a finalidade de mitigar a evasão escolar, o Governo deve destinar um maior percentual financeiro para as instituições de ensino fundamental e médio, por meio do Ministério da Educação, o qual será responsável por enviar verbas proporcionais as necessidades de cada escola e seu público. Nesse sentido, poderão ser criados mecanismos que propiciam a permanência dos estudantes, como horários flexíveis para aqueles que trabalham. Certamente, tal ação contribuirá para a formação de um Brasil mais democrático e fiel aos direitos constitucionais.