Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica marcante o nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a evasão escolar torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social no país, quanto da gravidez na adolescência. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a evasão escolar deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável para garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Assim sendo, devido à falta de atuação das autoridades, os adolescentes têm a necessidade de inserirem no mercado de trabalho em decorrência da desigualdade social, havendo como consequência a dificuldade da conciliação simultânea das duas atividades. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a gravidez na adolescência como promotor do problema. De acordo, com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, específica para o setor de educação, cerca de 23,8% das mulheres citaram a gravidez como principal motivo da desistência escolar. Partindo desse pressuposto, com a ausência da educação sexual no âmbito escolar, possibilita-se a gestação como um evento não planejado pelas adolescentes e também como fruto da violência sexual. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a gestação na adolescência contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Depreende-se, portanto, à necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescendível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, por meio de uma reunião, possa investir na criação de bolsas sociais para estudantes de baixa renda e investir também na educação sexual nas escolas, a fim de diminuir a taxa de evasão escolar. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da desistência escolar, a coletividade alcançará o bem-estar da população, tal como afirma Thomas Hobbes.