Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 25/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a evasão escolar brasileira se tornou um embaraço, dificultando a concretização dos planos do More. Esse cenário preocupante é fruto tanto da histórica desigualdade social quanto da falta de investimentos na qualidade do ensino. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro lugar, é imperativo ressaltar a disparidade social como promotor do problema. Nesse viés, pessoas de classe abastada geralmente são incentivadas e possuem condições suficientes para se manterem dentro da escola. Todavia, os grupos mais pobres podem ter preocupações mais urgentes, como a necessidade de trabalhar e a falta de incentivo. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNDA Contínua), divulgada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), concluiu que a passagem do Ensino Fundamental para o Médio - justamente a idade em que o jovem se vê obrigado a começar a contribuir com a renda familiar -, é o período de maior abandono escolar nacional. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Ademais, é fundamental pontuar que a má qualidade do ensino público deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Os professores têm dificuldade de incorporar ao cotidiano escolar o uso de novas metodologias de ensino. Com isso, a falta de interesse foi o fator mais citado por 40,3% dos jovens que abandonaram os estudos em uma pesquisa de 2009 da Fundação Getúlio Vargas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Portanto, com o intuito de mitigar o abandono educacional, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação desenvolva e divulgue, através das redes sociais, campanhas de incentivo a permanência na escola, onde sejam esclarecidas a necessidade de uma formação básica para o aumento das chances de uma maior renda familiar no futuro. Além disso, promova cursos de capacitação profissional para os educadores, visando uma atualização metodológica do ensino. Desse modo, o impacto nocivo da evasão escolar poderá ser reduzido, e a coletividade alcançará a Utopia de Thomas More.