Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/08/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, colocar em evidência a evasão escolar precoce, já que grande parcela social não enxerga esse entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que negligência governamental e as lacunas no sistema educacional são fatores que devem ser combtidos

Diante desse cenário, é lícito postular a passividade governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. No entanto, segundo o INEP, de acordo com dados oferecidos pelo Senso Escolar, aproximadamente 15% dos alunos do ensino médio de todo território brasileiro se encontram afastados de instituições de ensino.

Em segundo plano, as diversas falhas presentes no meio escolar têm relação direta com a problemática do abandono do ensino pelos jovens. Nesse sentido, de acordo com o político alemão Adenauer, todos vivem sob o mesmo céu, mas nem todos sob o mesmo horizonte. Nessa conjuntura, o pensamento exposto se evidencia ao analisar o descuido presente nas escolas nacionais, uma vez que, não há atenção à situação particular de cada aluno, em especial nos colégios públicos. Dessa forma, os docentes que praticam tal abandono, têm o intuito de auxiliar nas rendas familiares, tendo em vista que o corpo familiar se encontra muitas vezes em situações precárias.

Segundo Immanuel Kant, sociólogo polonês, “O homem não é nada além do que a educação faz dele”. Portanto, conclui-se que, a saída prematura dos colégios representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, mas também a todos os cidadãos que, indiretamente, são vítimas de seu legado. Por conseguinte, o Ministério da Educação, por intermédio de mídias sociais e palestras estudantis, deve promover ações, dentro e fora do âmbito escolar, que exponham os direitos à educação básica presentes na Constituição Federal de 1988 e o suporte necessário às famílias dos estudantes. Espera-se, com isso, que tal estigma seja, de uma vez por todas, abolido da sociedade brasileira.