Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 27/08/2021

Na obra ¨Utopia¨, do escritor inglês Thomas More, é idealizada uma sociedade perfeita, na qual padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa no cenário contemporâneo é o oposto do que prega o autor, uma vez que a evasão escolar apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização do planos de More. Essa realidade alarmante é fruto tanto da negligência governamental, quando da desigualdade social presente no país. Dessa maneira, medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade são essenciais para solucionar essa problemática.

Em primeira análise, é imprescindível pontuar a carência de medidas governamentais para combater a fuga escolar que afetam estudantes e a educação brasileira como um todo. Segundo dados do Ministério da Educação, a evasão escolar atinge cerca de 3,2 milhões de jovens por ano. Nessa perspectiva, verifica-se um problema sério e recorrente movido pela má gestão dos recursos públicos, os quais não entregam aos jovens de populações mais carentes um devido acesso ao ensino de qualidade. Outrossim, a enorme distância das redes de ensino junto ao ineficaz transpote e condição monetária  são impulsionadores da grande defazagem nas escolas e refletem ainda mais a displicência da administração educacional pelo governo. Esse cenário preocupante, reflete a urgência de uma mudança na postura Estatal para a integração social desse direito regido pela Magna carta.

Ademais, é fulcral apontar o alto grau de desigualdade socioeconômica presente na sociedade brasileira como grande propulsor da evasão escolar. Nesse contexto, muitas famílias não possuem uma devida condição financeira, na medida que os filhos ainda em idade escolar precisam abandonar sua carga horária educacional para poderem trabalhar no intuito de complementar a renda em casa. Outrossim, segundo o filosofo alemão Friedrich Hegel, o ¨Estado deve proteger os seus “filhos”. No entanto, essa proteção não está sendo eficaz, pois muitos estudantes estão precisando sacrificar sua educação em prol da garantia de ajudar nas contas e alimentação. Logo, é inaceitável que essas situações continuem a perdurar em um país que ocupa nona posição na economia mundial.

Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para combater esses obstáculos. Para isso, o governo Federal, por meio do Tribunal de Contas da União, deve disponibilizar mais verbas com o intuito de que sejam adquiridos mais ônibus escolares, bem como a construção de forma planejada de mais escolas públicas próximas as populações que mais carecem de transporte e renda, com o fito de garantir total acesso pelos jovens ao ambiente educaional. Além disso, o Estado precisa pontuar um auxílio estudo para os adolescentes mais carentes, ajudando na renda familiar e propiciando uma menor evasão escolar, alcançando assim, a coletividade utópica de Thomas More.