Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 10/11/2021
Segundo a máxima do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. Analogamente, na sociedade hodierna brasileira, percebe-se a necessidade de uma maior valorização da efetivação do acesso à educação à criança e ao adolescente. Nesse sentido, o aumento da evasão escolar, compõe um obstáculo nacional para garantia desse direito básico. Por isso, é preciso analisar as causas e consequências sociais que solidificam essa realidade no Brasil.
Em primeira análise, convém destacar as consequências da disparidade social como fator problemático para a permanência de crianças e jovens nas instituições de ensino. Nesse contexto, de acordo com dados divulgados pelo indicador Gini, mediador que classifica o grau de desigualdade em uma nação, o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo. Sob esse viés, o estudante provindo de uma família desfavorecida economicamente, aliado ao sentimento de não pertencimento às instituições escolares, muitas vezes, vê-se forçado à evasão escolar para contribuir com a renda familiar. Dessa maneira, substancial parcela da população é impossibilitada de ter acesso à educação.
Paralelamente, a evasão escolar contribui para o aumento da desigualdade social. Nesse sentido, consoante ao pensamento da filósofa francesa Simone Beauvoir, que desenvolve o conceito de Invisibilidade Social, há um processo de marginalização e de apagamento social sofrido por determinados grupos excluídos. Dessa forma, a saída precoce das instituições de ensino coopera para o processo denunciado por Beauvoir, visto que sem acesso à educação básica, tais indivíduos, geralmente, são impedidos de ascender econômica, profissional e socialmente, tornando-se sujeitos à exploração. Assim, constrói-se um ciclo em que a evasão escolar estimula a desigualdade social e vice-e-versa.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o quadro atual. Assim, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela promoção da educação nacional, investir, por meio de verbas governamentais, em regiões menos favorecidas economicamente, além de, estimular a inserção e envolvimento do aluno nas escolas, por intermédio da diversificação do modo de ensino correspondente a uma realidade mais próxima ao jovem. Somente assim, será possível combater a passividade nacional sobre a evasão escolar no Brasil e proporcionar condições de aprendizado igualitárias.