Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/09/2021
Na obra pré-modernista “Triste fim do Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o Major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. De literatura à realidade, contudo, ao observar a evasão escolar e a realidade brasileira, -ainda que seja uma questão de grande valor– percebe-se que esse assunto possui entraves para ser reverberado na comunidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relacionado a essa problemática, é importante analisar a negligência estatal e a importância da educação.
A priori, vale ressaltar o Pacto Social, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a educação. No entanto, é evidente que tal direito não se reverbera no Brasil, dados da PNAD Educação 2019, apontaram que aproximadamente 10 milhões das pessoas de 14 a 29 anos não completaram alguma das etapas da Educação Básica, na qual, muitos deixam de frequentar as aulas por falta de transporte, escolas sem estrutura para a recepção dos estudantes, ou para trabalhar e ajudar na renda familiar. Assim, a ineficácia estatal fere os princípios pontuados por Rawls e ao mesmo tempo, dificulta a melhora nos índices de evasão escolar no país.
Outrossim, aluda-se ao pensamento de Paulo Freire, “se a educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, elucida-se a necessidade de uma ensinaça de qualidade à população, onde, com a melhora desse bem, muitos outros problemas podem ser atenuados. Dessa forma, não é inesperado que o Brasil, –apesar de almejar formar-se nação desenvolvida– persista em não valorizar a educação de modo benevolente.
Dessarte, fica evidente que nem todos têm acesso ao ensino de qualidade. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de projetos, universalizar o transporte escolar, melhorar as condições no ambiente escolar, e por meio da redes sociais, criar campanhas que incentivem as pessoas que não terminaram, que voltem para as escolas, com a finalidade de que terminem a Educação Básica, fazendo com que diminua o índice de abandono escolar e melhore a educação nacional. Em vista da concretização dessas ações, a sociedade se aproximará da idealização do Policarpo.