Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/08/2021

A obra “O Castelo”, do artista mexicano Jorge Méndez, consiste em um amplo muro de tijolos sofrendo uma distorção devido à presença de um livro em sua base, refletindo diretamente no impacto e na importância da educação. De maneira obstante à reflexão causada pelo artista, é notável, na configuração hodierna, uma realidade em que muitos jovens brasileiros abandonam as escolas, mesmo com o valor que a educação tem em suas vidas, na chamada evasão escolar. Sob esse prisma, verifica-se um delicado problema que aflige a sociedade, motivado pelas disparidades sociais presentes no país e atrelado ao desinteresse que muitos possuem pelos estudos.

Nessa perspectiva, o cenário de desigualdades sociais presentes na população brasileira, no qual muitas famílias possuem uma renda baixa, é um obstáculo para o problema. Uma representação desse quadro é vista na obra “Pro Dia Nascer Feliz”, que, ao apresentar escolas no Brasil com realidades socioeconômicas distintas, revela casos de estudantes que se encontram em extrema pobreza e, para auxiliarem suas famílias, precisam romper com os estudos. Para além da ficção, nota-se uma infeliz conjuntura em que, por muitos viverem com rendas insuficientes para o seu sustento, encontram como única solução a saída da escola para trabalharem. Sendo assim, carece um amparo a esses estudantes, de modo que não precisem parar de estudar.

Em paralelo, vale ressaltar que a crescente falta de interesse pelas atividades escolares é outro entrave presente na problemática. Em meio a isso, é pertinente trazer o pensamento da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes modernas. Seguindo o raciocínio da pensadora, é evidente a carência de um ensino pedagógico humanizado que visa tornar o ato de aprender em um momento de prazer, sem gerar a apatia pelos estudos que muitos estudantes do Brasil possuem. Portanto, faz-se necessário uma mudança na didática de ensino aos alunos, transformando as escolas em um local onde o divertimento e a aprendizagem estão atrelados.

Tendo em vista os fatos supracitados, torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse entrave. Por conseguinte, cabe às instituições educacionais investir em medidas que tornem o ensino atrativo para os estudantes. Para isso, as escolas devem investir em mudanças na didática e nas intervenções estudantis, por meio de transformações dos professores no modo de educar, tornando a sala de aula em um local divertido e que motive os alunos a seguirem com os estudos. Dessa forma, será possível reverter esse quadro de crescente falta de interesse em um cenário atrativo, nos moldes do século XXI, adequando-se ao que propõe a teórica Vera Maria Candau.