Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 11/09/2021
Consoante o artigo 205 da constituição federal, a educação é um direito de todos e dever do estado, contudo, a realidade brasileira tem se mostrado dissonante dessa prerrogativa com muitos casos de evasão escolar. Nesse sentido, é possível traçar dois prismas complementares para entender essa questão: o descaso das políticas educacionais adotadas por governantes ao longo da história do Brasil, bem como a necessidade de adotar-se métodos de ensino que dialoguem com a realidade atual.
Em primeiro plano, a falta de investimentos e modelos engessados de ensino, foram uma constante na história eduacional do Brasil. Haja vista a obra “Conto de Escola” do escritor Machado de Assis no século XIX, que mostra os problemas que as escolas daquele período enfretavam como a baixa atratividade e o autoritarismo presente no cotidiano dos estudantes, no século XX por sua vez, as políticas adotadas pela regime militar, acentuaram as desigualdades já existentes, como mostra o estudo feito pela UNICAMP “O legado educacional do regime militar”, o investimento em educação diminuiu sucessivamente ao longo dos anos e a ampliação do contigente de alunos matriculados aumentou, o que contribuiu para um sucateamento da qualidade do ensino público brasileiro. Dessa forma, as políticas públicas adotadas em diferentes momentos da história contribuíram para evasão escolar e não ofereceram a infraestrutura e métodos adequados para um melhor resultado dentro da sala de aula.
Além disso, é notório que uma das questões que mais contribuem para a desistência dos alunos em idade escolar é o desinteresse pelo modelo de ensino atual. Partindo dessa assertiva, Paulo Freire no livro “Pedagogia da Autonomia”, mostra como ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Assim, abrindo uma conversa com as demandas reais dos alunos das mais diferentes realidades sociais e culturais no Brasil e mostrando como a educação pode ser transformadora nos aspectos profissionais e culturais de cada indivíduo.
Destarte, o governo poderia ampliar o papel do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação), por meio de um plano administrativo que distribua os recursos de maneira a fomentar novos métodos de ensino e alternativas a modelos tradicionais nas escolas - uma vez que seria mais atrativo aos estudantes - a fim de que possa-se diminuir os indíces de evasão escolar no Brasil. Desse modo, garantindo o efetivo direito constitucional de cada cidadão de ter acesso a educação, e principalmente a uma educação que levará esses cidadãos a uma transformação social constribuindo para o progresso do Brasil como nação.