Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/07/2017

Segundo Kant, filósofo moderno, “o Homem é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, a moral humana está vinculada a sua educação. No Brasil, o ensino fundamental e médio são assegurados pela constituição como direitos fundamentais aos jovens, sendo, portanto, obrigação do Estado assegurá-lo. Todavia, a evasão escolar tem afetado a escolarização de milhões de crianças e adolescentes em idade escolar. Nesse sentindo, é inerente às necessidades do Brasil discutir a importância em garantir o acesso à educação infantojuvenil, assim como suas causas e consequências.

Indubitavelmente, o ensino escolar é fundamental para construir uma sociedade equilibrada social e economicamente. No entanto, falhas do Estado brasileiro para com esse direito constitucional podem ser notadas nos dados do Instituto Unibanco, conforme os quais, cerca de 1,3 milhões de jovens não concluíram o ensino médio. Além disso, de acordo com reportagem divulgada pela revista “Veja”, entre as principais causas de abandono escolar destacam-se a distância das escolas e ausência de transportes públicos. Dessa forma, percebe-se que a falha do Estado em assegurar o ensino público não só se restringe a conscientizar o aluno da importância em concluir os estudos, mas também em áreas imprescindíveis, nesse caso, a infraestrutura urbana, para que haja coesão entre o espaço escola-cidade.

Em relação aos fatos supracitados, notam-se diversas consequências, uma dessas são as elevadas taxas de criminalidade, já que a defasagem nos estudos interfere no desenvolvimento profissional, o que acarreta, por vezes, a marginalização dos setores menos escolarizados e, consequentemente, a tendência ao crime. Prova dessa relação são dados divulgados em uma pesquisa de doutorado da Universidade de São Paulo, que associam a evasão escolar com um aumento de 51% nos índices de criminalidade. Desse modo, evidencia-se que o lapso de comprometimento do Governo Federal para com a escolarização origina outros problemas sociais, como a miséria e o crime.

Logo, cabe ao Ministério da Educação, em consonância aos Governos Estaduais organizar projetos a fim de implantar transporte escolar e construir unidades escolares nas periferias das cidades, de modo que seja facilitado o deslocamento dos estudantes. Para tanto, seria viável utilizar “royalties” petrolíferos, que, na região Norte, por exemplo, umas das regiões com maior evasão escolar, poderiam ser oriundos da Bacia Sedimentar Amazônica. Às secretarias municipais de educação, associadas aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) cabe planejar visitas semanais de psicólogos e assistentes sociais, com horários agendados, às residências dos estudantes com elevados índices de abstenção escolar, de modo que seja possível solucionar os problemas que motivam a evasão escolar.