Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/11/2021

Em sua obra “Pedagogia da Autonomia” , o educador brasileiro Paulo Freire assegura que o processo de educação do sujeito deve estar separadamente associado à construção da sua autonomia e ao respeito da sua individualidade. Esse quadro pode ser facilmente transferido para a necessidade de reformular a educação brasileira, já que tem sido falha em trabalhar junto às carências do educando, justaposto ao alto índice de evasão escolar. Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, ligado intrinsecamente à insuficiente ação do governo e à falta de amparo individual.

Em primeiro plano, sobre a evasão escolar no Brasil, deve-se enfatizar que, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirma que o Brasil é o 3.º colocado com a maior taxa de evasão escolar do Mundo, sendo ela 24,3%. Nesse viés, a insuficiente ação do governo em trabalhar a suprir as necessidades do aluno alicerça esse dado, tendo em vista que os principais motivos dessa evasão se encontram diretamente ligados a carência infraestrutural nas escolas brasileiras. Desse modo, o indivíduo que encontra diversas dificuldades ao simples fato de decidir ir ao colégio, acaba se desmotivando ao longo prazo a ponto de se evadir da instituição, como é o caso de pessoas que residem distantes do lugar onde estudam.

Ademais, a falta de amparo individual que os institutos reconhecem e insistem em não atender prolonga ainda mais a resolução desse problema. Por exemplo, gravidez na adolescência e problemas financeiros em casa, juntos, somam grande parte das razões de jovens deixarem de acompanhar às aulas, estudo feito pela Fundação Abrinq mostrou que 30% das adolescentes gravidas não terminaram o ensino médio. Por conseguinte, jovens que precisam contribuir em casa ou trabalhar para sustentarem seus filhos enxergam a evasão escolar como única saída para seus problemas, pelo fato das instituições de ensino não oferecerem nenhum recurso para a permanência desses indivíduos em sala de aula, o que retarda ainda mais a resolução de um problema corriqueiro nas instituições.

Pode-se perceber, portanto, que medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Sendo assim, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Economia, reformular a base estrutural do ensino no país, garantindo a mesma qualidade para todas as regiões, construindo escolas em pontos estratégicos, evitando grandes deslocamentos, mas garantindo a mesma qualidade de ensino que regiões bem localizadas. Outrossim, o governo federal, por meio do Ministério da Educação, deve acompanhar de perto cada indivíduo e suas necessidades, garantindo bolsa de auxílio permanência nas escolas para quem comprovadamente precise, ajudando financeiramente, no intuito de fixar o aluno e estimular o seu aprendizado, assim, diminuindo a evasão no ensino brasileiro.