Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/07/2017
Primeiro foram faltas esporádicas. Depois, passaram a ser semanais. A professora começou a se acostumar com a falta de resposta do aluno à chamada. Até que chegou um dia em que ele não mais compareceu. Infelizmente, a evasão escolar é frequente no Brasil e tem como fatores problemas sociais aliados a um currículo escolar sem foco e com ausência de contextualização.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad), mais de 40% dos jovens entre 15 e 17 anos abandonam a escola por falta de interesse. Este fato ratifica o atual cenário pedagógico com um currículo engessado e com ausência de aplicabilidade na rotina do aluno que, aliado à falta de professores insuficientes na rede pública, cria terreno fértil para a desistência ao aprendizado.
Em consonância com o então apresentado, emenda-se a necessidade dos jovens mais carentes em trabalhar para auxiliar na renda da família; a dificuldade de acesso às escolas – principalmente para os estudantes oriundos da zona rural - e a problemas de saúde diversos. Estes fatores corroboram para o cenário preocupante que carece de atenção dos órgãos públicos e da escola.
Nesse ínterim, medidas são necessárias para garantir a permanência dos alunos nas escolas, garantindo, assim, seus direitos previstos em lei e seu pleno exercício de cidadania. Convém, portanto, que, primordialmente, o Estado, por meio das Secretarias de Educação, promova o desenvolvimento de uma grade escolar mais contextualizada e dinâmica. Um bom exemplo seria a introdução, quando possível, de tecnologia nas salas de aulas, aproximando o conteúdo do mundo digital e disponibilizando maior tempo ao professor para atendimentos individualizados. Outrossim, cabe à escola valer-se de todos os recursos dos quais disponha, como acompanhamento de frequência com atendimento especial às famílias dos alunos, a fim de garantir a retenção dos mesmo. Prevê ainda a legislação que, esgotados os recursos da escola, o Conselho Tutelar do Município deve tomar medidas cabíveis individualizadas. Sob tal perspectiva, em ação conjunta entre Estado e escola, poder-se-á construir um Brasil mais educado, rumo ao progresso.