Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 09/09/2021

O livro “Pedagogia da Autonomia”, do educador e filósofo Paulo Feire, retrata acerca dos defeitos do modelo de ensino conteudista no cenário atual. Diante disso, pode-se observar que há um mau gerenciamento escolar no Brasil que está impulsionando a evasão escolar.  Entretanto, além do ensino monótono, as discrepâncias sociais do país também corroboram a desistência. Desse modo, com aumento alarmante nos índices de abandono pedagógico, faz-se necessário analisar os pretextos que perpetuam a problemática.

Nesse viés, cabe abordar o formato de educação objetificada e industrializado do mundo capitalista. Segundo o filósofo, Michel de Montaigne, “cuidamos apenas de encher a memória, e deixamos vazio o entendimento e a consciência”. Deste modo, as instituições de ensino estão cada vez mais preocupadas em finalizar uma grade com dados decorados, ao invés de desenvolver o social e o individual para capacitar os alunos à vida real.  Isto ocorre porque o Ministério da Educação não tem como iniciativa o contato com os estudantes, em busca de saber suas necessidades, dificuldades ou dúvidas, assim, não tendo a base dos reais afetados para um melhor preparo disciplinar. Em decorrência disso, uma média de 52% dos brasileiros entre 19 e 25 anos abandonaram os estudos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Entre as consequências dessa negligência governamental, vale destacar a, ainda persistente, desigualdade social que eleva o quadro de evasão escolar. Conforme previsto pela Constituição de 1988, artigo 205, a educação é um direito de todos e dever do Estado garanti-lo. No entanto, as condições precárias dos colégios públicos, que desmotivam a busca e a compreensão do sentido da educação, e a desproporcional base salarial das famílias, que motivam a busca prioritária por emprego, acarretam no descumprimento desse direito civil. Com isso, afirmando a tese do jornalista Gilberto Dimenstein de que vivemos em uma “Cidadania de Papel”, com direitos escritos, mas sem aplicação.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação o dever de se comunicar com os estudantes, por meio de uma plataforma digital - com fórum de dúvidas e sugestões- a fim de inserir o aluno na organização da sua base curricular e compreender como facilitar seu aprendizado, assim impedindo sua desistência. Ademais, é papel da Secretária da Educação, juntamente com as escolas, desenvolver projetos para inibição da evasão escolar, através de campanhas publicitárias e socias que demostrem a importância da educação na preparação do individuo, com vistas a esclarecer os benefícios do ensino e, consequentemente, elevar os dados de conclusão de ensino do país.