Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 10/09/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado com ênfase na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro Cidadão de Papel - quando se observa a evasão escolar no Brasil, acarretando futuros analfabetos e facilitando a entrada de crianças na criminalidade . Dessa forma, por causa da negligência do Estado, bem como a desigualdade social, essas consequências são agravadas. Assim, faz-se fulcral a análise desses fatores.
Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse sentido, a escassez de projetos estatais que visem garantir o acesso à educação de forma gratituita e de qualidade contribui para o crescimento de analfabetos funcionais, desempregados . Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o governo não cumpre sua função de garantir os direitos civis da população. Um exemplo disso é o número de 4 milhões de estudantes que abandonaram os estudos em 2020, segundo DataFolha, haja vista os inúmeros impecilhos como falta de interesse, envolvimentos na criminalidade. Diante dos fatos apresentados, é imprescindível uma ação do Estado.
Nota-se, outrossim, que a desigualdade social, no que tange ao ensino educacional público, é um grande impulsionador desse impasse. Nesse contexto, devido à falta de condições financeiras, além da prioridade em trabalhar no sustento familiar, há a relativização da importância do estudo na formação acadêmica e cidadã dos indivíduos. Nesse horizonte, segundo o filósofo Gilberto Freyre, em sua obra Casa Grande e Senzala, “Durante o processo colonial brasileiro, a miscigenação era vista com repulsa e a educação era eletizada”. Desse modo, devido à exclusão social com os negros e pardos ,que já existia desde passado, há uma grande dificuldade da população mais humilde em encontrar empregos, dificultando, deste modo, a ascensão dessa classe.
Portanto, percebem-se os obstáculos que contribuem para a persistência da evasão escolar. Destarte, é mister ao Governo Federal criar projetos que visem garantir a melhoria na infraestrutura das escolas públicas, por meio de cursos de qualificação dos profissionais educacionais, como também elaborar atividades lúdicas de leitura, no intuito incentivar as pessoas à educação. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania em parceira com o Conselho Tutelar fiscalizar as práticas de trabalho infantis nas comunidades mais carentes, e também prestar ajuda financeira em caso de necessidades financeiras, mediante rendas mensais de auxílio transporte, moradia e alimentação as crianças. humildes, a fim de aumentar o número de crianças nas escolas.