Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/09/2021

Segundo o IBGE, cerca de 80% dos brasileiros, em 2014, não terminaram o ensino médio até os 17 anos de idade. Sob essa análise, percebe-se que ocorre, no Brasil, a evasão escolar de jovens e crianças, de modo a prejudicar a formação educacional desses indivíduos, bem como dificultar as suas oportunidades de vida, como na inserção no mercado de trabalho profissional. Nesse sentido, em virtude da insuficiência legislativa e da mentalidade familiar negligente, emerge um problema complexo.

Em primeiro plano, a falta de ações governamentais suficientes caracteriza-se como causa latente dessa questão. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5°, assegura o direto à educação para todos os cidadãos. No entanto, observa-se que, muitas vezes, não acontece a plena garantia  não apenas do ensino completo do brasileiro,  mas também da sua permanência escolar, o que evidencia a banalização e a indiferença estatal frente à realidade evasiva do indivíduo, geralmente, carecido de condições financeiras. Diante disso, esse cenário é refletido, seja pela carência de amplos estímulos governamentais que facilitem a conciliação da vida do estudante de baixa renda com a escola, como por subsídios financeiros e programas de alimentação e de transporte gratuito, seja pela falta de busca ativa  e atuação eficiente do Estado ,nas residências populares, para entender, ajudar e debater a situação do jovem estudante. Assim, fica clara a inoperância do governo nesse panorama.

Além disso, a continuação de uma maneira de pensar distorcida por parte dos parentais contorna a problemática.Nesse contexto, o sociólogo Talcoltt Parsons afirma que a família é produtora de pensamentos e personalidades humanas. Sob esse viés, a negligência e a falta de importância depositada nos estudos dos filhos é, em parte, explicada pela ideia de que o jovem deve trabalhar e banalizar os estudos, a qual é, por vezes, enraizada no histórico da família do jovem e  possibilita o aluno de realizar a evasão escolar por não ter um apoio  e estímulo familiar adequado. Dessa maneira, tal situação é também influenciada pela necessidade do indivíduo de ter que obter recursos para sobreviver na realidade de subcidadania do país. Logo ,é necessário alterar essa forma de pensar.

Portanto, torna-se substancial uma intervenção. Para isso, cabe ao Ministério da Educação formular um programa de continuação escolar que inclua todos os recursos que o jovem precisa para permanecer estudando, por meio da destinação dessa estratégia na Base de Diretrizes Orçamentárias- órgão que analisa feitos públicos-, a fim de combater a evasão estudantil. Ademais, esse programa deve priorizar os alunos humildes, disponibilizando vales de cestas alimentares, transporte e o acesso a locias de estudo extraclasse, como bibliotecas e universidades. Espera-se que, possivelmente, a evasão escolar seja atenuada no Brasil.