Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/09/2021
A ativista Malala Yousafzai, importante voz no debate contemporâneo sobre o ensino, reiterou a importância dele no desenvolvimento social: “uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Contudo, mesmo com a clara relevância da educação para uma sociedade próspera, a evasão escolar, ou seja, o abandono dos estudos, continua sendo uma das principais problemáticas no Brasil de hoje. Sem dúvida, muitos são os motivos que contribuem para tal realidade, como a necessidade do jovem de conseguir um emprego ou ainda o acesso precário às instituições.
A princípio, é crucial ressaltar que o ingresso no mercado de trabalho é um dos principais fatores no abandono escolar juvenil. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a maioria dos jovens envolvidos na evasão escolar são de baixa renda, e abandonam os estudos com o intuito de trabalhar para auxiliar financeiramente suas famílias, negligenciando seu desenvolvimento socioeducacional devido à ineficácia governamental no apoio aos cidadãos de classe baixa ou média baixa. Desse modo, mostra-se óbvio que a manutenção das taxas de pobreza na população influencia em um ciclo vicioso de abandono escolar em prol da sobrevivência, comprometendo a educação de milhões de brasileiros.
Além disso, outro fator que contribui para a alta nas taxas de evasão escolar é a dificuldade de acesso às escolas. De acordo com uma matéria da revista Veja, um dos motivos mais citados pelos responsáveis como justificativa para o abandono escolar de jovens consiste na soma de escolas distantes e falta de transporte, visto que uma parcela significativa dos adolescentes é de baixa renda e vive em habitações precárias e/ou distantes de instituições de ensino (ex: palafitas, favelas…), e não possuem capacidade financeira para providenciar um transporte pago. Logo, os jovens acabam impedidos de prosseguir os estudos, tendo o seu desenvolvimento comprometido.
Em síntese, é cabível constatar que a evasão escolar é um problema intrínseco da sociedade brasileira, e deve ser combatido. O Ministério da Cidadania deve, em parceria com o Ministério da Educação, criar o “Bolsa Estudantil”, um programa de auxílio financeiro que concede a renda de um salário mínimo para adolescentes de baixa renda, almejando contribuir com os gastos familiares e assim permitir que os jovens concluam seus estudos. Além disso, o Ministério da Infraestrutura, coligado com ao Ministério da Economia, deve investir em um sistema de transporte público exclusivo para áreas de difícil acesso, como favelas e palafitas, para conduzir estudantes de classe baixa e média baixa na ida e vinda de suas instituições de ensino, solucionando o difícil acesso e possibilitando o desenvolvimento socioeducacional de jovens em situações precárias.