Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2021

Segundo Paulo Freire, a escola é o local de troca e construção de conhecimentos. No entanto, essa não é a realidade dos estudantes brasileiros, a qual a evasão escolar é recorrente, sendo tal problemática ocasionada graças ao desestímulo educacional e à desigualdade social representada na necessidade que estes têm de trabalhar. Assim, tal problemática carece de soluções.

Diante desse cenário, é importante frisar que o sistema educacional nacional é pouco instigante, o que faz com que esses indivíduos abandonem a escola. Por conseguinte, a partir de dados da Fundação Getúlio Vargas, 40% dos alunos de ensino médio deixam de estudar por acreditarem que a escola não é interesse, devido a grades curriculares maçantes com conteúdos que, muitas vezes, não contribuirão para a formação profissional posterior, ou que apenas não são de seu interesse. Ademais, a falta de apoio e incentivo familiar também se configuram como uma lacuna, uma vez que não contribuem para a permanência do estudante nos meios de ensino. Logo, o desestímulo gerado pelas escolas se constitui como um desafio para enfrentar a evasão escolar.

Outrossim, o sociólogo Pierre de Bourdieu aponta que a escola é o local de reprodução de desigualdades. Sobre essa ótica, é notório a necessidade que grande parte dos estudantes brasileiros têm de trabalhar para contribuir com a renda, sob pena de abandonar a escola em busca de maior disponibilidade para a atividade remunerada. Tal situação faz ligação com o supracitado, já que a disponibilidade de tempo para o estudo acaba sendo maior para os detentores de melhores condições sociais. Portanto, a desconformidade financeira que leva os alunos a abandonarem a escola para poderem trabalhar é nociva.

Em suma, a falta de incentivo e a necessidade de atividade remunerada em tempo integral são afirmativas para a evasão escolar no Brasil. Dessa forma, cabe a maiores instâncias, como ao Ministério da Educação, por meio de reformas educacionais e bolsas educacionais, transformar as instituições de ensino locais de aprendizado que não apenas ensinam o básico, mas que também oferecem opções extracurriculares, que visam instigá-los a se manterem em tal ambiente e os auxiliam financeiramente, reduzindo o abandono. Além disso, também há a necessidade de mudança de valores culturais pela sociedade civil, para que a permanência na escola não seja apenas uma obrigação, mas sim uma vontade. Apenas assim o idealizado por Paulo Freire será reproduzido na nação verde e amarela.