Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/09/2021
De acordo com o Método Cartesiano, teoria proposta por René Descartes no século XVII, para resolver um problema é preciso analisá-lo sob perspectivas distintas. Hodiernamente, no que concerne ao infortúnio do abandono escolar em questão no Brasil, constata-se a extrema relevância da teoria supracitada. Desse modo, é substancial discutir não somente as consequências negativas para os cidadãos que não completam os estudos, mas também os fatores que impedem subverter essa realidade maquiavélica.
Precipuamente, convém salientar que, segundo o UNICEF, um em cada três adolescentes das famílias mais pobres do mundo nunca frequentou a escola. Nesse viés, percebe-se que, assim como mencionado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, a questão financeira é o principal motivo que impossibilita o acesso à educação. Consequentemente, tais indivíduos são introduzidos, desde a tenra idade, em um mercado de trabalho marcado pela exploração exacerbada , além da remuneração pífia que, em boa parte dos casos, sequer é suficiente para suprir as necessidades básicas de um cidadão.
Outrossim, é indubitável que a fragilidade da ação político-administrativa é um fator-chave na perpetuação do imbróglio. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do princípio estabelecido pelo pensador político francês Jean Bodin, segundo o qual a Política deve garantir o bem-estar dos cidadãos, isto é, embora existam programas sociais como o Benefício Variável Jovem, essa ferramenta é insuficiente para que o alto índice de abandono escolar seja superado. Diante disso, medidas são necessárias para superar esse cenário desfigurado no contexto brasileiro.
Ante os fatos, é imperativo que o Governo Federal, em consonância à empresas do setor privado, engaje-se para tornar o ensino fundamental e médio financeiramente sustentável a todos os cidadãos. Para tanto, devem ser ofertadas vagas de jovem aprendiz destinadas exclusivamente aos adolecentes de famílias carentes, ofertando vale-refeição e vale-transporte, sendo possível o exercício de um ofício legal e que garanta a conclusão dos estudos, estimulando ainda uma qualificação posterior, tais como cursos técnicos e até mesmo o ingresso no ensino superior. Tais medidas visam a aniquilação de uma realidade em que um direito à educação é cerceado por questões financeiras e, assim reafirmar a importância da proposta analítica enfatizada por René Descartes há mais de três séculos.