Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/09/2021
No filme “Escritores da Liberdade”, de 2007, é retratada a história de uma professora da rede pública americana que tenta promover o interesse de seus alunos. Ao longo da trama, a narrativa revela as dificuldades encontradas pela educadora ao passo que percebia a crescente evasão escolar, dentre outros motivos, provocada pela precariedade econômica e social dos estudantes. Fora das telas de cinema, a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela do século XXI: a importância de combater a evasão escolar se deve principalmente à posterior dificuldade de ingresso no mercado de trabalho por parte dos alunos e, consequentemente, à diminuição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
Em primeiro plano, vale ressaltar o importante papel da formação educacional básica e média para a entrada no mercado de trabalho. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 65% dos brasileiros desempregados não possuem ensino superior e cerca de 40% não concluíram o ensino médio. Desse modo, é evidente que a baixa escolaridade implica diretamente na concessão de trabalho aos cidadãos, uma vez que a falta de especialização e conhecimento limitam o empregado, assim diminuindo o interesse do empregador na contratação de tais trabalhadores.
Por consequência, ocorre a queda gradativa no Índice de Desenvolvimento Humano. O IDH é uma medida do conjunto de dados usados para comparação de “desenvolvimento humano” entre os países, são indicadores para o cálculo deste índice: educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Assim, a saída de jovens e crianças da escola implica diretamente na redução da escolaridade e, posteriormente, na piora da renda e qualidade de vida, uma vez que, como já citado, a dificuldade de permanência no mercado de trabalho aumenta, implicando no aumento da desigualdade social.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Logo, o Governo Federal através de políticas públicas deve buscar a melhora na infraestrutura- promovendo cursos de formação profissional acessíveis e interativos para a melhoria na capacitação dos profissionais da educação, bem como procurar o aprimoramento dos materiais didáticos e organização da Base Nacional Comum Curricular-, assim propiciando o desenvolvimento de um ensino de qualidade e que prenda o cidadão ao meio escolar. Somente assim será possível combater o problema visto no filme “Escritores da Liberdade” e manter o desenvolvimento socioeconômico do país.