Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/10/2021

Conforme teorizou inicialmente o filósofo e patrono da educação brasileira, Paulo Freire, “ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção ou criação”. Dessa forma, é interessante que o contexto onde o estudante está inserido seja considerado, uma vez que a evasão escolar é presente e está relacionada com a realidade brasileira. Nesse sentido, a estrutura socioeconômica precária familiar e a violência escolar perpetuam essa situação.

Primeiramente, é importante salientar que a Constituição Federal de 1988 garante o direito à educação, mas fatalmente o aluno não usufrui disso. Isso acontece devido ao estrato socioeconômico precário da maioria das famílias no país, as quais não conseguem fornecer condições básicas para manter as crianças nas escolas. Ademais, é comum os filhos terem que trabalhar para ajudar no sustento da família. Dessa maneira, há um impasse para mudar a realidade da evasão escolar no Brasil.

Além disso, é oportuno comentar que a violência escolar é presente na sociedade. Essa situação decorre da falta de investimento governamental em segurança no âmbito escolar, por meio de postos policiais e ronda policial em lugares com índices elevados de criminalidade. Observa-se, por consequência, que mais da metade da população adulta, com 25 anos ou mais, não terminou o ensino médio, de acordo com dados divulgados pelo Institudo Brasileiro de Geográfia e Estatística (IBGE). Sob essa perspectiva, nota-se que a violência escolar reafirma a evasão escolar.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam criadas para mitigar os problemas supracitados. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), órgão responsável por formular e implementar a Política Nacional de Educação, em conssonância com o Ministério da Economia, elaborar e disseminar um plano de incentivo financeiro para as famílias de crianças e adolescentes de baixa renda, por meio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ancorado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Espera-se, com isso, que a realidade da evasão escolar na nação brasileira seja minimizada. Outrossim, é necessário que o Ministério da Justiça e Segurança Pública atue no planejamento de medidas de segurança em ambientes escolares que sejam favoráveis à violência escolar, através da presença de postos policiais e câmeras de segurança, com o fito de amenizar a criminalidade escolar, de modo que sejam emanadas possibilidades para os estudantes permanecerem nas escolas, como preconizou o patrono da educação brasileira, Paulo Freire.