Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 06/10/2021
Sob a ótica do pedagogo Paulo Freire, a educação é um instrumento de luta contra as injustiças na sociedade. No entanto, para a infelicidade desse pensador, o Brasil ainda enfrenta muitos casos de evasão escolar, a qual é originada, sobretudo, por dificuldades financeiras e resulta na perpetuação da desigualdade social. Por isso, medidas para o combate do abandono do estudo devem ser tomadas.
De fato, percebe-se que há uma relação entre o grau de escolaridade e as condições pecuniárias de um indivíduo. De acordo com o estudo ‘‘Aprendizagem em Foco’’, realizado pelo Instituto Unibanco, a renda familiar média por pessoa daqueles que concluiram o ensino médio na idade correta é de 885 reais, enquanto, para quem não concluiu o ensino fundamental, esse número é de R$ 436. Nesse sentido, é evidente que quanto melhor a condição financeira de um estudante, menor é a probabilidade de que ocorra o abandono do estudo. Logo, infere-se que, no Brasil, a pobreza é um dos principais causadores da evasão escolar.
Como resultado disso, há a prevalência da desigualdade social, porquanto a cultura é, também, um elemento que possibilita a mobilidade social. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a educação está diretamente relacionada ao capital cultural, o qual aumenta o leque de oportunidades de ascensão no estrato social. A teoria desse pensador reafirma a tese de Freire e torna translúcido o impacto da evasão escolar na perpetuação da desigualdade social, uma vez que as elites continuam a deter uma espécie de monopólio da cultura e, por conseguinte, dos privilégios.
Portanto, para que o abandono dos estudos no Brasil seja combatido, é necessário que seja ofertado, pelo Ministério da Economia, um auxílio financeiro para os estudantes do ensino fundamental de famílias mais pobres, visando à diminuição da probabilidade de evasão escolar apontada pela pesquisa ‘‘Aprendizagem em Foco’’. Além disso, é impreterível que a iniciativa privada ofereça, em parceria com as instituições de ensino, mais vagas para menores aprendizes, de forma a proporcionar uma atividade remunerada que diminuirá a pressão econômica e servirá de incentivo para a permanência no estudo. Dessa forma, a evasão escolar será reduzida, e as ideias de Paulo Freire por um país menos desigual finalmente encontrarão solo fértil no Brasil.