Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 07/10/2021

Paulo Freire, patrono da educação brasileira, defendia que a educação é o elemento ímpar na evolução da sociedade. Consoante a essa ideia, o cenário atual da dinâmica educacional brasileira é preocupante, visto que o progressivo aumento nas taxas de evasão escolar vão na contramão do soerguimento à que o filósofo se referia. Nesse sentido, é importante identificar os fatores que contribuem para essa realidade, dentro dos quais, a desigualdade social e a omissão do Estado ganham notoriedade.

Primeiramente, cabe ressaltar o impacto das discrepâncias sociais na temática, haja vista que, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a exclusão escolar é uma realidade que afeta principalmente indivíduos de vulnerabilidade social, com destaque para negros e indígenas. Ademais, de acordo com o coeficiente Gini, parâmetro relacionado com a mensuração da desigualdade no mundo, o Brasil é alocado entre os dez países com pior distribuição de renda. Nessa perspectiva, há a criação de um ciclo vicioso, no qual, as disparidades sociais criam condições para o fortalecimento do próprio fenômeno, e, assim, a evasão do ensino tradicional se concentra no setor da sociedade mais carente. Desse modo, é imperativo que medidas sejam tomadas com o objetivo de alterar essa conjuntura.

Além disso, é mandatório pontuar que o acesso à educação é um direito garantido pelo Artigo 205 da Constituição Federal Brasileira de 1988, entretanto, há uma inaptidão expressiva do Estado em honrar com esse direito. Dessa forma, há o estabelecimento de uma contraposição entre o governo e a sociedade, já que, o acesso à educação se assemelha mais com um privilégio do que com um direito constitucional. Dentro desse cenário, a dissimilitude imperante configura uma realidade diversa que se manifesta em diferentes aspectos entre as classes sociais. Nesse seguimento, a infraestrutura, a qualidade de ensino e os anos de escolaridade divergem claramente na comparação entre classes sociais mais privilegiadas em detrimento das mais vulneráveis.

Por fim, é evidente que essa temática configura uma questão desafiadora para o governo federal. Portanto, cabe ao Ministério da Educação investir no aperfeiçoamento da infraestrutura do setor educacional, por meio de obras públicas e campanhas de conscientização à aderência acadêmica, com a finalidade de reduzir a problemática da evasão escolar. Dessa maneira, a escolaridade brasileira aumentará, e, consequentemente, o coeficiente de Gini evoluirá. Com isso, a sociedade desfrutará da evolução à que Paulo Freire aludiu.