Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/10/2021
Criada em 1988, a Constituição Federal brasileira aborda a educação como direito de todo cidadão. No entanto, o que se observa no Brasil contemporâneo é o oposto do que está escrito na lei, haja vista os altos índices de abandono das instituições educacionais, derivada da realidade financeira dos indivíduos que interrompem os seus estudos. Ademais, o aumento da violência no País está inteiramente ligado com a fuga dos jovens das escolas. Dessa maneira, é fulcral entender as raízes e os frutos dessa problemática.
Em primeiro plano, a condição financeira é fator determinante para desistência da vida estudantil. Nesse contexto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14% dos adolescentes brasileiros vivem fora das escolas e, em sua maioria, essa porcentagem é composta por jovens que provêm de famílias humildes, ou seja, a falta de capital suficiente para arcar com as necessidades básicas do grupo familiar faz com que o indivíduo deixe os estudos em segundo plano e vá em busca de empregos informais para complementar a renda da casa. Assim, a evasão escolar e a pobreza estão indubitavelmente conectadas.
Outrossim, a baixa escolaridade proporciona uma maior probabilidade de ingressar no “mundo do crime”. Sob esse ponto de vista, o escritor Victor Hugo afirma que, ao abrir uma escola, fecham-se cadeias, ou seja, o acesso à educação possibilita a qualificação do indivíduo e, por conseguinte, ganha mais destaque e oportunidades no mercado de trabalho. Entretanto, os menores que largam a escola não recebem a preparação necessária para encontrar empregos que os ofereçam uma condição digna de sustento e, por consequência, este encontra na criminalidade o refúgio para seu problema. Logo, é inegável que a evasão escolar não seja uma ameaça à cidadania.
Portanto, é necessário a criação de medidas para contornar essa situação no Brasil. Nesse viés, cabe ao governo federal, em parceria com o Ministério da Educação e por meio de cotas governamentais, a criação de projetos que disponibilizem uma renda de meio salário mínimo para todos os menores de 18 anos que estudam em escolas públicas, sendo então verificado periodicamente as taxas de frequência e notas desses indivíduos, com o objetivo de diminuir os altos índices de evasão escolar no Brasil. Desse modo, o que está abordado na Carta Magna será visto na prática.