Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/10/2021
A escola é um ambiente fundamental na preparação acadêmica e social de todo indivíduo, pois prepara o homem para viver em sociedade. Sendo assim, é dever do Estado e da família garantir o acesso à educação, direito garantido pela Constituição Federal. Todavia, a realidade da educação brasileira é ressaltada por altas taxas de estudantes que evadem dos colégios e abandonam os estudos por causa da busca pela complementação de renda familiar, além da gravidez na adolescência.
Em primeiro lugar, é evidente que o abandono escolar se dá, principalmente, em virtude da busca por emprego no fito do estudante aumentar a renda da sua família. Nesse contexto, uma pesquisa do Banco Mundial constatou que 1 a cada 3 jovens até 19 anos largam a escola todo ano pelo fato de não conseguirem conciliar escola e trabalho. Por consequência, estes que não tem grau de escolaridade elevado estão fadados a ganharem menos do que uma pessoa que completou o ensino médio, de acordo com a mesma estatística. Desse modo, é fomentado a estratificação social, visto que esse jovem com pouca -ou nenhuma- qualificação ganha o salário para seu sustento, alimentando as camadas mais pobres enquanto os de vida acadêmica de sucesso, as camadas elevadas.
Além disso, é imperioso ressaltar que a gravidez durante a adolescência acarreta não só a evasão escolar, mas também atrapalha as realizações pessoais. Essa concepção mostra que quando uma jovem engravida, todas as suas metas acadêmicas e sonhos são postos em dúvida porque, sendo nessa fase que a juventude se descobre, a falta de educação sexual no âmbito familiar e estudantil gera a falta de cuidados para evitar a gravidez indesejada. Sobre esse viés, uma estatística do Ministério da Saúde mostra que cerca de 17% das meninas até 14 anos foram mães, infelizmente não são, estes, casos isolados, por isso é preciso que medidas sejam tomadas para diminuir esses casos e dar às jovens o direito de terem seus sonhos realizados sem serem interrompidos.
Logo, urge que ações sejam tomadas para diminuir a evasão escolar sejam por causas socio-econômicas, ou por motivos de saúde pública. Ademais, é dever do Estado garantir a educação desses jovens, então, o ensino deve visar às condições adversas da vida do estudante para que ele não precise escolher entre estudar e trabalhar, antes tenha caminhos para conciliar os dois. E isso pode ser feito por meio de modificações na base comum curricular, a qual deverá ser integrada à disponibilidade do aluno e os seus horários livres devem ser direcionados ao estudo. Em adição, para dar fim à evasão devido à gravidez precoce é necessário que a família e as escolas proponham palestras de educação sexual, com o intuito de informar os alunos e acabar com o abandono escolar. Somente a educação dá fim às realidades do Brasil, pois segundo Paulo Freire “sem educação a sociedade não muda”.