Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/10/2021

Em países subdesenvolvidos, como Chile e Argentina, a evasão escolar diminui progressivamente. No Brasil, entretanto, segundo o jornal BBC, 1 em cada 4 brasileiros entre 14 e 17 anos abandona os estudos anualmente. Esse quadro nocivo ocorre não só devido à situação econômica dos que deixam os estudos, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.

Nesse sentido, é válido destacar a dificuldade financeira dos alunos que abandonam a escola como fator exponencial no agravamento da problemática. Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, em geral, a evasão escolar brasileira ocorre principalmente porque os estudantes de baixa renda precisam trabalhar para ajudar no sustento do lar. Observa-se, por esse ângulo, que esses jovens, pelo fato de não concluir os estudos e de entrar no mercado de trabalho precocemente, acabam sendo vítimas do mercado informal por possuirem o ensino incompleto. À vista disso, nota-se, infelizmente, que a pobreza materializa-se na ampliação da desigualdade e da exclusão social, haja vista que os mais desfavorecidos economicamente precisam decidir entre estudar ou ajudar na manutenção do lar.  Dessa maneira,  percebe-se que as discrepâncias socioeconômicas influenciam diretamente nas taxas de abandono escolar e, por consequência, há o fortalecimento dos abismos sociais no país.

Além disso, é imprescindível salientar a ausência políticas públicas eficazes para reduzir a evasão escolar. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar a democracia e o bem-estar social. Nessa perspectiva, o alheamento governamental em implementar programas sociais que controlem efetivamente o abandono escolar mostra-se como uma atitude pouco moral, consoante às ideias de Bonhoeffer, dado que por mais que as estatísticas sejam claras, não há ação estatal eficaz. Desse modo, os mais pobres sofrem o descaso da esfera pública, o qual deveria cumprir seu papel de reduzir as mazelas sociais. Logo, à luz de Dietrich, a democracia no país não é efetiva, visto que os mais necessitados são impedidos de finalizar seus estudos.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de políticas de redistribuição de renda, destine auxílio economico aos alunos socialmente vulneráveis e, com ajuda dos coordenadores escolar, faça o acompanhamento desses estudantes, com o objetivo de evitar a evasão escolar para o mercado de trabalho precocemente e, dessa maneira, reduzir as desigualdades sociais. Assim, será possível a construção de um país moral e democrático aos moldes de Bonhoeffer.