Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/10/2021
De acordo com o artigo primeiro da Constituição de 1988, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a cidadania. Entretanto, o abandono da educação básica evidencia que os direitos previstos no dispostivo constitucional não estão sendo cumpridos. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a reprodução das opressões sociais, bem como a situação econômica das famílias.
Convém ressaltar, a princípio, que o ambiente educandário nem sempre é acolhedor, podendo reforçar violências que os discentes vivenciam externamente. Nesse contexto, de acordo com a PNAD Contínua da Educação, 71,7% dos jovens que abandonam a escola são pretos ou pardos. Sob tal perspectiva, percebe-se que o racismo estrutural está presente nas instituições de ensino e torna a experiência acadêmica penosa para muitos indivíduos. Como reflexo disso, os adolescentes são impedidos de realizar o que Paulo Freire chamou de empoderamento, que é essencial para o ensino.
Outrossim, o número de pessoas que desistiram dos estudos no ensino básico, com objetivo de trabalhar, cresceu durante a pandemia de COVID 19. Nesse âmbito, conforme a fundação Roberto Marinho, 45% da juventude brasileira faz parte de famílias que perderam, parcial ou totalmente, suas rendas durante a quarentena. Sob tal ótica, é notável que a necessidade de sobrevivência é colocada como prioridade, em detrimento da educação. Ao passo que, o Estado se preocupa com a presença física nas aulas, mas não se empenha em garantir os aspectos fundamentais que viabilizam o comparecimento, como a alimentação e o transporte.
Portanto, a fim de evitar a evasão escolar no Brasil, é necessário que as Secretarias de Educação dos estados ofereçam programas de auxílio aos alunos, por meio de redirecionamento de impostos. Objetivando contratar profissionais para receber denúncias de violências escolares e conceder assistência financeira a alguns estudantes, para possibilitar uma experiência saudável e passível de empoderamento.