Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/10/2021

O romance filosófico “Utopia” – criado pelo inglês Thomas Morus no século XVI – retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à evasão escolar problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da necessidade de estudantes terem que largar a escola para trabalhar, mas também por conta da gravidez na adolescência. Com isso, fazendo com que as meninas e os meninos tenham que dedicar seu tempo para outras tarefas pessoais deixando os estudos de lado.

Em primeiro lugar, é importante destacar que em função da sua relação financeira é cada vez mais comum ver jovens trabalhando ao invés de estudando. Na frase do filósofo Aristóteles “a educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces”, sintetiza perfeitamente a evasão de alunos por falta de perspectiva de um futuro melhor. Desse modo, há outras oportunidades que adolescentes enxergam para tentar ter um futuro melhor. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que mais de 1 milhão de jovens sendo a maioria meninos, entre 15 e 17 anos deixam a escola sem concluir. Destarte, fica evidente que as medidas devem ser tomadas em respeito à resolução dessa situação.

Consequentemente, conta-se um grande aumento nos casos de gravidez na adolescência, desviando o foco de ir para escola, tendo que dedicar seu tempo para outras tarefas pessoais. Uma pesquisa feita pelo MEC, OEI e Flacso revelou que 18% das meninas que pararam de estudar teve a gravidez como principal motivo. Além do futuro dos jovens serem afetados por não terem estudos, têm-se menos profissionais com capacidade de nível superior no país, com apenas 32,7% dos jovens de 18 a 24 anos, segundo o IBGE. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol do aumento de adolescentes nas escolas. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimentos, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Estudantis, informar e orientar os jovens estudantes, por meio de campanhas publicitárias em parceria com a saúde pública distribuir preservativos nas escolas, e ter a obrigatoriedade de estar em uma instituição de ensino para ingressar no mercado de trabalho, com objetivo de diminuir a evasão escolar e aumentar o número de profissionais com curso superior no país. Dessa forma, pode-se á concretizar a ‘’Utopia’’ de Morus na sociedade brasileira.