Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/10/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar a evasão escolar e a realidade brasileira, que é recorrente na vida dos cidadãos, constata-se que esse benefício não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Com efeito, é necessário enunciar a ausência de leis governamentais e a falta de abordagem midiática como pilares essenciais da chaga.

É importante ressaltar, de início, a escassez de ações governamentais como promotora do problema do abandono escolar. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, percebe-se que, no território nacional, há a recorrência de obstáculos, tal qual a situação precária das instituições de ensino, que atrapalham o combate evasão escolar no país, já que o Estado não garante verbas decentes para as escolas. Logo, discorrer criticamente acerca dessa temática é o primeiro passo para a consolidação de um País equânime.

Ademais, é cabível pontuar que o silêncio dos meios de comunicação social influencia na persistência do impasse. A esse respeito, o PNAD informou que a quantidade de crianças e jovens sem acesso ao ensino em 2020 corresponde a cerca de 3% da população brasileira. Conquanto, evidencia-se que a pouca ênfase dada pela mídia consolida o desamparo da sociedade, impedindo o desenvolvimento de ações de combate ao abandono escolar. Assim, medidas precisam ser tomadas com o propósito de atenuar o revés.

Portanto, o debate acerca da retirada escolar precoce na sociedade contemporânea brasileira é imprescindível para assegurar um nível de qualidade de vida satisfatório. Destarte, é imperativo que o Ministério dos Direitos Humanos - órgão máximo regulador dos direitos no País - agregue planos de desenvolvimento do ensino remoto às empresas do ramo, por apoio financeiro, para que os empresários entrem em contato com a problemática, de modo a garantir a educação da população. Além disso, urge que a mídia conceda espaço para a propagação do assunto, com o objetivo de conscientizar seus consumidores. Feito isso, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.