Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/11/2021

Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos mais importantes documentos da história brasileira: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito a educação de base. Entretanto, a evasão escola, em conjunto com a realidade brasileira, impede que os jovens usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a desconstrução da desigualdade, bem como a negligência familiar, são iniciativas capazes de fazer com que o problema seja tratado com importância devida.

Nesse contexto, é relevante abordar que a escassez da igualdade na sociedade gera obstáculos para o esvaziamento escolar. A esse respeito, de acordo com Rousseau - em sua obra “O contrato social” - a disparidade surgiu na disputa do poder e riqueza entre os seres humanos. Sob essa ótica, as palavras do filósofo pode ser validada quando se percebe uma formação histórica pautada em um aspecto desigual, em que parcela dos indivíduos detém de um privilégio em relação a outra, a exemplo de uma boa renda familiar e de um ensino básico de qualidade, consequentemente, a “única” preocupação desse estudante será frequentar a instituição escolar e buscar o conhecimento ofertado. Nesse viés, os grupos deixados a margem não revertem o excerto evidenciado por Jean Jacques, o que evidencia a não igualdade, diminuindo, assim, a frequência escolar.

Ademais, vale destacar que a displicência familiar desmotiva a presença do aluno no âmbito colegial. Sob essa égide, segundo Nietszche, o que os pais falam, os filhos reproduzem no mundo. Nessa atmosfera, as palavras do filósofo pode ser vista na realidade quando os responsáveis induzem seus decendentes a escolherem um caminho mais rápido para a própria sobrevivência: o trabalho, pois, provavelmente, era isso que os seus antecessores os ensinaram. Somado a isso, muitos progenitores por não terem tido a oportunidade de ter acesso ao conhecimento, não conseguem enxergar o quanto a educação transforma o ser humano. Dessa forma, sem o apoio familiar, o estudo é deixado, cada vez mais, como segundo plano, pois é de casa que a criança adquire os primeiros dicernimentos.

Ante o exposto, portanto, diante dos efeitos supramencionados, é necessário a ação conjunta do Poder Público com a sociedade para amenizá-los. Isto posto, é preciso que o Estado, em parceria com Ministério da Educação, invista em estratégias que introduza a importância da formação do indivíduo no meio escolar, por meio de políticas públicas que auxiliem as famílias de baixa renda, enquantos os jovens estarão no colégio, além disso, introduza o “mês do bate-papo”, em que mensalmente os pais participem de um debate trazendo pontos negativos e positivos sobre a dinâmica estudantil dos menores, com a finalidade de combater a desigualdade e assegurar a participação ativa familiar. Dessa forma, os estudantes brasileiros poderão, de fato, experimentar o direito adquirido pela Carta Magna.