Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/10/2021

É evidente que a evasão dos jovens das escolas é um problema persistente no cenário brasileiro. Embora a Constituição Federal, no artigo 6, garanta o acesso à educação como direito social, entraves precisam ser superados para que essa escolarização seja plena. Esses obstáculos ocorrem por causa da desigualdade social ou ainda pelo desinteresse dos adolescentes nas aulas mal pensadas. Logo, essa questão precisa ser discutida e combatida.

Convém destacar que a educação não é acessível de forma igualitária no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 62% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Isso acontece principalmente na fase final da vida escolar, ou seja, no Ensino Médio, pois esses adolescentes desejam ou precisam se inserir no mercado de trabalho para ajudar suas famílias. Assim, eles não são capazes de atingir o ápice do pensamento freiriano defendido na obra Pedagogia do Oprimido em que o indivíduo pode de se utilizar da educação para superar as desigualdades sociais a que é submetido, pois necessita abandonar a escola antes disso.

É importante destacar também que as instituições de ensino não são atrativas para o jovem tupiniquim. Dessa forma, eles não se sentem motivados por não verem nela uma maneira de evoluir socialmente. Somado a isso, professores passam a ensinar mal, uma vez que são desmotivados devido à baixa remuneração salarial que recebem e pela negligência do Governo, que oferece menos investimento a esse setor ao longo do tempo. Assim, raríssimos casos parecidos com o da senhora Gruwell ocorrem fora da ficção, personagem do filme Escritores da Liberdade; ela supera todas as dificuldades existentes e consegue engajar seus alunos e os convencer a não abandonar os estudos.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o problema. O Ministério da Educação deve remunerar melhor os profissionais de ensino através da destinação de verbas arrecadadas por meio de impostos pagos pela sociedade a fim de manter os professores satisfeitos e motivados, o que fará com que eles desempenhem um melhor trabalho para com os alunos. Dessa forma, os estudantes se interessarão mais e não deixarão os estudos. É fundamental também que o Ministério da Economia aumente o financiamento de programas sociais para que as famílias mais humildes recebam o suficiente a fim de que seus filhos não precisem abandonar a escola para trabalhar. Somente assim a Constituição finalmente será praticada corretamente.