Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/10/2021

Durante a pandemia de Covid-19, o índice de evasão escolar aumentou. O fechamento das escolas e, posteriormente, o ensino à distância fizeram com que crianças e adolescentes parassem os seus estudos devido ao fato de não possuírem acesso a meios tecnológicos que proporcionassem a sua continuidade. No entanto, esse problema não é exclusividade da pandemia, visto que, antes mesmo dessa crise sanitária se instalar no Brasil, era comum encontrar jovens em idade escolar fora do ambiente educativo. Com isso, faz-se necessário analisar as causas e consequências que corroboram essa problemática, com o intuito de combatê-la e amenizá-la.

A princípio, percebe-se que o trabalho infantil é um dos principais fatores agravantes da evasão escolar. Conforme o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, sustentando a tese de que uma base acadêmica sólida desde a infância é uma obrigatoriedade para a formação da criança enquanto plena cidadã. Porém, a ocupação de indivíduos dessa faixa etária com obrigações de serviço, na maioria das vezes para ajudar os pais que se encontram em uma situação financeira delicada, atrapalha o seu desenvolvimento estudantil. Assim, crianças e adolescentes submetem-se ao trabalho, frequentemente com atividade perigosas, sendo expostas a um perigo futuro ainda pior: uma inserção precária no mercado de trabalho - esta já em idade economicamente ativa - devido à deficitária base acadêmica no período juvenil.

Por conseguinte, o analfabetismo é um dos principais efeitos decorrentes de uma estrutura escolar precária ao longo da faixa etária infantil. De acordo com dados coletados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 6,6% da população do país era analfabeta, sendo isso um resultado claro da evasão escolar em períodos anteriores à pesquisa. Desse modo, nota-se que um dos principais indicadores do desenvolvimento socioeconômico de um país - o letramento da população - depende de iniciativas que possam trazer os alunos de volta às escolas, preparando-os de maneira correta para o futuro e integrando-os como verdadeiros cidadãos.

Destarte, a evasão escolar é um problema que deve ser combatido. Para isso, urge que o Ministério da Educação, órgão federal responsável pela manutenção do ensino no país, em parceria com os governos estaduais e municipais, promova a volta de indivíduos com idade escolar para as instituições didáticas, como também o incentivo à Educação de Jovens e Adultos, por meio de campanhas nos principais meios de comunicação e redes sociais, explicando a importância da educação na vida social e estimulando a sua busca por parte das famílias brasileiras, com o intuito de diminuir os índices de evasão que tanto afetam o desenvolvimento da população e, consequentemente, do Brasil.