Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/10/2021

A obra “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, retrata uma sociedade distópica que permitiram o desenvolvimento de jovens como Clarisse McClellan, uma jovem brilhante que por falta de acesso a educação básica não pôde fazer uso de todo seu potencial. Ainda que alegórica, a crítica presente no livro é retratada na vida de diversos brasileiros que não têm acesso à escola pela falta de transporte acessível e pelo desconhecimento das famílias brasileiras acerca da importância da educação.

Em primeira análise, observa-se que desde a Primeira Revolução Indústrial a priorização governamental de regiões que geram mais capital gerou uma disparidade descomunal entre diferentes locais do Brasil. Enquanto São Paulo já possui o Transporte Escolar Gratuito (TEG), o Amazonas tenta lidar com uma deficiência imensa na participação de aulas visto que muitos alunos teriam que cruzar rios para ter acesso à escola. Conforme as ideias Karl Marx, não é útil à classe opressora que a classe oprimida tenha conhecimento, deste modo, nota-se que a realidade brasileira nessa problemática não é unicamente causada pela desorganização mas sim pela tendência das classes privilegiadas a dificultar o acesso da população pobre à educação.

Em segunda análise, é importante ressalvar que a falta de transporte acessível não é o único empecilho com que os jovens brasileiros  tem de lidar, visto que muitas famílias, até hoje, acreditam que a educação seja uma perda de tempo, tirando os filhos da escola muito cedo e os inserindo de maneira precária no mercado de trabalho. Conforme o pensamento de Augusto Cury, a presença dos pais na educação é essencial para o bom funcionamento da sociedade. Destarte, é evidente o importante papel das famílias para uma maior retenção de alunos nos colégios brasileiros.

Diante dos argumentos supracitados, é indubitável a necessidade de uma ação conjunta dos Ministérios da Cidadania e da Educação, que devem trabalhar no desenvolvimento de um transporte escolar nacional gratuito sensível às peculiaridades de cada região, simultâneamente à promoção de campanhas em meios midiáticos que exponham claramente a importância da educação para o futuro do Brasil. Tais ações devem ser feitas com a utilização de verbas públicas e, se aplicadas corretamente, podem atenuar o problema e evitar vidas como a de Clarisse McClellan.