Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 25/10/2021
É evidente que a saída dos jovens das escolas é um problema que persiste no cenário brasileiro. Embora a Constituição Federal, no artigo 6, garanta o acesso à educação como direito social, entraves precisam ser superados para que essa escolarização seja plena. Esses obstáculos ocorrem seja pela desigualdade social existente no país ou ainda pelo desinteresse dos adolescentes nas aulas preparadas pelos professores. Logo, essa questão precisa ser discutida e combatida.
Dessa forma, convém destacar que as oportunidades educacionais não são ofertadas de forma igualitária no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 62% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Isso acontece principalmente na fase final da vida escolar, ou seja, no Ensino Médio, pois esses adolescentes desejam ou precisam se inserir no mercado de trabalho para ajudar suas famílias. Assim, eles não são capazes de atingir o ápice do pensamento freireano defendido na obra Pedagogia do Oprimido em que o indivíduo pode utilizar da educação como um meio para superar as desigualdades sociais a que é submetido, pois abandonam a escola antes disso.
Pode-se observar também que o modelo de ensino e suas instituições não são atrativas para o jovem. Dessa forma, eles sentem-se desmotivados por não verem nela um meio de ascensão social. Somado a isso, professores também fazem parte desse grupo, uma vez que são frustrados pela baixa remuneração salarial que recebem e pela negligência do Governo, que fornece cada vez menos investimento a esse setor. Assim, raríssimos casos parecidos com o da senhora Gruwell ocorrem fora da ficção, personagem do filme Escritores da Liberdade; ela supera todas as dificuldades existentes e consegue engajar seus alunos e os convencer a não abandonar os estudos.
Portanto, o Ministério da Educação deve remunerar melhor os profissionais de ensino através da destinação de verbas arrecadadas dos impostos pagos pela sociedade, a fim de manter os professores satisfeitos e motivados, o que fará com que eles desempenhem um melhor trabalho para com os alunos. Dessa forma, isso atrairá melhor os estudantes, que por sua vez não abandonarão os estudos. É fundamental também que o Ministério da Economia aumente o financiamento de programas sociais para que as famílias mais humildes recebam o suficiente a fim de que seus filhos não precisem abandonar a escola para trabalhar. Somente assim o que está previsto na Constituição finalmente será vivenciado plenamente na prática.