Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/10/2021
O neologismo “empoderamento”, criado por Paulo Freire, descreve o processo de conscientização de grupos historicamente oprimidos, com o objetivo de fazer com que se organizem para superar os casos de opressão, e a educação é importante para o alcance dessa ferramenta do processo. Portanto, dado o potencial transformador da educação, a evasão escolar no Brasil é preocupante, sendo necessário tomar medidas para enfrentá-la. No entanto, existem obstáculos que dificultam essa luta, como as diferenças socioeconômicas e as marginalidades sociais, que impactam negativamente os jovens que fogem da realidade.
Nesse sentido, uma das principais variáveis relacionadas à evasão parece ser a desigualdade social. Sem uma educação completa, a pobreza prosseguirá por muito tempo devido aos empregos de longa duração e de baixa remuneração.
Outrossim, além da desigualdade social, a opressão histórica de grupos marginalizados da sociedade também é um fator decisivo no abandono do espaço escolar. Portanto, para esses grupos, a educação escolar torna-se extremamente difícil, e eles podem encarar a evasão como uma forma de escapar da violência. Essa situação é preocupante visto que, além da violência, esses jovens estão privados da oportunidade de construir ferramentas no ambiente escolar para enfrentar a opressão que estão vivenciando. Portanto, considerando o papel fundamental da escola na formação dos indivíduos, é necessário torná-la um espaço saudável, principalmente para os alunos que se encontram em situação de desvantagem na sociedade ou fazem parte de um grupo historicamente oprimido.
Portanto, o Ministério da Educação deve adotar uma estratégia voltada ao combate à evasão, que se reflete especificamente na concessão de bolsas de estudo a alunos em situação de pobreza e na criação de um centro de denúncias para que os alunos vivenciem a violência nas escolas.. Isso deve ser feito por meio de ajustes tributários para que o pagamento das bolsas seja prioridade no orçamento nacional e da contratação de profissionais para o atendimento das reclamações recebidas. Tais medidas devem ser tomadas para evitar o abandono escolar e, assim, consolidar o poder dessas pessoas, assim como defendeu Paulo Freire.