Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2021
Segundo o artigo 6 da Constituição Brasileira de 1988 todos os cidadãos têm direito ao acesso à educação. Tal prerrogativa não reverbera na realidade brasileira, na qual a evasão escolar ainda é um problema na sociedade. Isso ocorre devido à omissão estatal e a desigualdade social presente no território nacional. Logo, com intuito de aplicar à nação canarinha os direitos presentes na Carta Magna, é imprescindível a resolução da problemática.
Decerto, a ausência de medidas governamentais que propiciem subsídios aos alunos impede a diminuição da evasão escolar. Nessa perspectiva, há no Brasil cerca de 5 milhões de alunos que saíram das escolas, segundo a pesquisa feita pela Unicef. Tal número representa a carência de projetos de ajuda aos alunos e incentivos para frequentar o ambiente escolar. Sob essa óptica, a falta de instituições com infraestrutura e professores de qualidade, incentivos extracurriculares como esportes e aulas e ativa participação do governo no setor educacinal influência no desinteresse dos discentes acerca dos estudos. Esse cenário ilustra a teoria das “Instituições Zumbis” de Zygmunt Bauman, na qual existem autoridades responsáveis pela sociedade, mas os direitos civis não são efetivados pela inoperância governamental. Desse modo, para refutar essa condição “zumbi” é essencial projetos pedagógicos que mudem a realidade brasileira.
Outrossim, a desigualdade social presente no país é um catalisador da saída de estudantes das instituições. Nesse sentido, durante o Brasil império a educação era limitada aos filhos da classe alta e realizada apenas até o ensino fundamental, posteriormente os alunos eram encaminhados para outros países. Diante dessa conjuntura, no século XXI, resquícios dessa dicotomia ainda são presentes no território, onde as crianças e adolescentes de regiões periféricas são impedidos de frequentar a escola pela falta de dinheiro, transporte e necessidade de trabalhar. Essa conjuntura vai de encontro ao pensamento do educador Paulo Freire, segundo o qual afirma que a educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela tampouco a sociedade muda. Dessa maneira, a mudança do cenário estratificado da nação está intrínseca à investimentos nesse setor.
Infere-se, portanto, a evasão escolar como fator nocivo à realidade brasileira. Isso posto, cabe ao Ministério da Educação criar projetos educativos que influenciem a presença nas escolas por meio de reformas nas instituições, sobretudo as localizadas em regiões periféricas e oferecimentos de cursos extracurriculares, com objetivo de tornar o setor educacional mais deselvolvido. Além disso, cabe ao governo federal desenvolver subsídios econômicos para alunos de classe média baixa mediante a uma “Bolsa estudo”, com intuito de permitir a conclusão do ensino. Assim, aplicar-se-á o artigo 6 no país.