Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 03/11/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura que a educação é um direito fundamental do ser humano e deve ser garantida pelo Poder Público e pelos responsáveis dos menores de idade. Contudo, no contexto atual, tal responsabilidade não é efetivada adequadamente no país, o que se mostra visível com a alta taxa de evasão escolar existente. Isso ocorre, sobretudo, devido ao acesso à educação não ser devidamente democratizado, tal como as complicações com a saúde dos estudantes. Dessa forma, é visível que medidas precisam ser tomadas a fim de minimizar as consequências da problemática.
Vale destacar, nesse viés, que questões raciais são um empecilho enorme para a coletivização da educação, uma vez que o racismo e o bullying desmotivam e prejudicam o desempenho dos alunos negros e os leva a abandonar a escola. Tal cenário é visível, nesse contexto, nos dados coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2019, em que 12,5% dos jovens brancos de 15 e 17 anos não estudam, enquanto isso ocorre com 16,5% jovens negros. Além disso, as questões socioeconômicas também contribuem fortemente para a evasão escolar, visto que muitos jovens deixam de estudar para poder ajudar a família em casa e/ou com trabalho ou pela falta de incentivo familiar e de materiais, motivos relacionados à situação financeira ou emocional do grupo. Sendo assim, é inegável que a democratização da educação é necessária para diminuir o abandono escolar.
Ademais, cabe ressaltar que o afastamento de alunos em razão de doenças muitas vezes acaba por ser definitivo. Sob esse viés, é importante salientar que diversos fatores podem levar o aluno a desenvolver patologias - mentais ou físicas - sendo esses: a herança genética, os maus tratos, o bullying, a cobrança excessiva, etc. Nesse sentido, pode-se citar o livro “Por Lugares Incríveis”, uma vez que o protagonista, Finch, era considerado esquisito por muitos colegas, o que o levou a cometer suicídio, junto de outros motivos pessoais. Nessa ótica, ao deixar a escola em virtude dos problemas na saúde, os jovens tendem a não voltar atrás, o que prejudica sua inserção futura no mercado de trabalho - em razão da falta de escolarização, logo, fere sua dignidade e abre espaço para o preconceito.
Infere-se, portanto, que ações devem ser efetuadas para que haja uma atenuação no problema. Assim, o Ministério da Educação - principal responsável por gerir os projetos educacionais do país - deve, por meio de palestras sobre as diferenças e sobre amor ao próximo, como também mediante à divulgação de campanhas que incentivem consultas médicas rotineiras, conscientizar a população jovem em relação aos seus atos e seus direitos, com o intuito de evitar problemas de saúde e a discriminação. Paralelamente, deve garantir a inclusão do povo mais necessitado, através de políticas de cotas mais abrangentes, visando democratizar a educação e, desse modo, mitigar a evasão escolar.